segunda-feira, setembro 28

Podolatria a p&b

sexta-feira, setembro 25

Cantina velha, 24 SET 09, 19:30.

As gajas da tuna (chamo-as de gajas porque dado o seu comportamento, presumo que seja assim que gostem de ser chamadas) cirandam por aqui de forma pateta com os seus instrumentos e trajes onde despontam impreterivelmente as malhas nas meias; dá-me a ideia que elas não sabem tocar os instrumentos, ou sabem mas assim uma coisa muito pedante, ao estilo de um bate-chapas zarolho a querer ser mecânico. Elas teatralizam tudo, desde as interacções com as pessoas que conhecem e que são as suas amigas, até aos comportamentos que em voz alta têm para os outros verem e ouvirem. É assim uma espécie de revista onde a brejeirice que no resto do ano apenas veicula momentos de depressivo onanismo, se solta e polui mais o ambiente que as chaminés da siderurgia nacional. Mesmo entre elas, não falam, guincham! e o guinchar está cheio de fonemas com trago a bagaço, dá a ideia delas gostarem de foder por terem voz de bagaço, (heurística?) ou como diz uma muito respeitosa pessoa, dá a ideia de podermos levar a garrafa de whisky para a cama, o que é muito apelativo se gostarmos de beber. E quando pensamos que já nos habituámos e elas próprias amainam com a comida a entrar na cavidade bocal com dentes desarranjados, chega a tipa gorda, a que investe mais e grita: «vou por azeite e vinagre nesta merda... e alho, hahahaha». Depois volta e trata mesmo mal a caloira da tuna, ordena-lhe um par de coisas sem sentido e desconfio que lhe olha para o contorno do torso e passa-me pela cabeça que as gajas gordas e feias são todas sapatonas. Eu penso em dizer-lhes qualquer coisa, mas não chego a fazê-lo, mas chego àquele ponto em que a expectativa de fazer é tanta, em que engano o meu corpo e ele, ingénuo, segrega adrenalina por pensar que vou agir, coitado... Excita-me para nada, enrijece-me para nada, depois, lentamente, volta à realidade e esmorece à medida que as gajas da tuna se vão rindo sem prazer e continuando a sua revista de maledicência e frivolidade

domingo, setembro 20

Mamas Grandes

Há tantas coisas que me deixam irritado que começo a pensar se não sofrerei dos nervos. Mamas grandes. Eis a minha mais recente irritação, mamas grandes... Prateleiras imensas que atraem olhares com a facilidade com que qualquer coisa que se ligue à electricidade ou tenha uma bateria atrai pretos da Amadora ou de um subúrbio equivalente. As mamas grandes, como é sabido, estão num pedestal e num recanto estranho do nosso inconsciente, evocam a caça à baleia. Ensinam-nos desde cedo a adorar as mamas grandes, a curvar-nos perante o decote onde uma migalha se pode perder para sempre e um pequeno feijão dar origem a um grande e viçoso feijoeiro; não é matéria constante nos programas escolares, mas em todas as escolas há uma mamalhuda com um propósito claramente definido (entesar-nos e impedir-nos o pensamento, impedir que vejamos que seremoss os futuros escravos de alguém?); não, não é apenas a sociedade e os pasquins orais que acompanham o nosso desinteressante definhar que nos educam rumo à adoração do torso; as mamas grandes são praticamente um arquétipo, dispensam aprendizagem, a sua veneração explode em nós de forma inopinada como se fosse um vesúvio idiossincrático. Chega o dia em que me deparo com umas mamas realmente grandes e o entusiasmo aflora em todo o meu ser, percorre-me os nervos numa orgia sináptica, a mielina entra em ebulição e toda a expectativa é uma erecção permanente numa euforia que constantemente evoca o momento do consentimento. A excitação é tremenda e a visão do soutien gigantesco com as rendas todas esticadas que deformam as florzinhas que crianças do Bangladesh bordaram, a libertar aquelas imensuráveis bolas adiposas com mamilos assimétricos, deixando-as descair vários centímetros em direcção ao umbigo nuns segundos que parecem uma eternidade divina, humedece de imediato a glande que facilmente se desembaraça do prepúcio inexistente. «Ah, finalmente vou poder manusear e abocanhar umas tetas poderosas». Anos e anos a pensar naquilo, anos e anos de conversas sobre o abanar, o bambolear, espanholadas e então, vamos lá à acção. Lá estou eu, a abocanhar, a manusear de forma pouco ajeitada, sinto-me tão obrigado a ter prazer, a aproveitar algo que me fora indicado como único: mexo depressa, abano, aperto, depois faço tudo devagar, como que em câmara lenta; levo lá a boca, o nabo, o escroto, a maçã de adão. não acontece o que seria suposto... Acabo, sem saber porquê, a fazer movimentos típicos da ordenha ao mesmo tempo que o entusiasmo se esvaece. É demais, é desconcertante, não me cabe na mão, nem nas duas mãos, sinto-me débil, sinto-me atrapalhado com toda aquela massa por ali que quase tem uma força gravitacional própria, faltará pouco para pequenos objectos orbitarem em torno daquilo. Mas tenho de ter prazer, tenho de aproveitar, SÃO MAMAS GRANDES PÁ! Acabo irritado com a minha desconexão, a querer ir dali para fora, porque a tipa, para lá das mamas que me levaram a estar com ela naquele momento, nada mais tem para me oferecer além de uma mediocridade a roçar o decrépito. Como não sei o que fazer àquelas bossas, tento olhar-lhe para a cara, mas não gosto do que vejo, tem uns olhos baços e uma fronte coberta por cabelos espigados cheios de madeixas idiotas e multicoloridas; procuro-lhe o resto do corpo, viro-a de costas porque não suporto a frente e então, deparo-me com tatuagens horríveis, que ela fez para tentar suportar-se a si mesma, à sua fealdade, à sua virtude que lhe causa problemas nas costas. Que se fodam as vossas mamas grandes, leiam o caralho de um livro para conseguirem fazer conversa quando a desilusão nos impedir de o levantar.

terça-feira, setembro 15

Tenho saudades vossas.

segunda-feira, setembro 14

Desabafo III

Aquilo que conceptualizamos como tempo, é apenas uma definição que um filho de uma puta badalhoca inventou para categorizar a mudança... E já agora a distância é fodida...

domingo, setembro 13

algumas cenas de verão

sábado, setembro 12

EISHHHHHHHHH

E lá está ele, o príncipe da madrugada, o entradote dos movimentos felinos na discoteca, já há 25 anos que assim é, sempre sem sucesso, sempre sem nada que lhe dê esperanças, mas, não precisa de tal coisa, não precisa de sucesso, não precisa de toque para além do roçado, não pede mais que resvalar o seu pénis em nádegas de 3 gerações diferentes, há 25 anos a roçar em nádegas, mães e filhas já ele reconhece como tendo andado bem perto da ponta do seu avantajado bacamarte.
Os amigos mudam, quando ele tinha 20 anos, os amigos tinham 20 anos, quando tinha 30, os amigos tinham 20, agora tem 45 e os amigos continuam com 20. Fuma um cigarro encostado à sua carrinha que está estacionada no parque de estacionamento de um hipermercado e conta uma história ou outra a um dos miúdos que trabalha com ele e com quem vai rumar à discoteca, dançar as novas tendências; passou do rock, para o disco, para o techno, para a kisomba e kuduro, para o funaná, para o reggaeton, foda-se, tanto lhe dá, porque ele é uma máquina, um aspersor de olhares néscios e rebarbados. A brilhantina acabou e levou consigo a maioria dos cabelos, os que continuam, agora são rapados já depois de terem passado pela fase do gel. Quando ninguém está à espera, saca uma pistola do porta-luvas e mais uma vez, uma vez mais, um bando de jovens impressionados, um respeito conquistado e o apontar da arma a uma velhota que ali passa, para gargalhada geral; a velha assustada vai-se embora e ele, sedento de gargalhadas ainda diz «comia-te esse cu todo, és tão boa maezinha», resulta e o facto de um dos tipos já ter assistido a uma cena igual num fim de semana anterior, não o importa minimamente.
Na discoteca, seja lá qual for a música, ele, sem saber, é um gajo dos blues, nunca ouviu Canned Heat nem a sua "on the road again", mas é esse o ritmo que o impulsiona, de braços abertos, a morder o lábio inferior e de olhos semicerrados, a cintura endiabrada, agita-se com um impressionante fulgor e pretende roçar-se em glúteos mais convincentes, em ancas mais cativantes, em epidermes incautas que por ali andam descobertas, à sua mercê; inocentes? nunca, se ali estão, querem foder. Circula uma joint e tu fumas, porque até fumarias merda de cavalo se fosse preciso, tanto te dá. Nem sabes bem o que é a droga e o que faz, mas já experimentaste tudo sem ficares agarrado a nada, tens uma t-shirt que diz "eu digo não às drogas. Mas elas não me ouvem..." mas não dizes não a nada, sabes lá tu dizer não... ah., esquecia-me das prostitutas, dizias não aos preços que consideravas exagerados e sabias bem regatear e elas, elas eram novas, ano após ano, mudavam, algumas ficavam, mas nunca tanto tempo quanto tu, seu velhaco.
Passado mais um fim de semana, mais umas noites em que nunca voltas com as pessoas que vais, vens sozinho, dás boleia a pretos, brancos, ciganos, a bebedeira desinibe-te a pistola aquece-te os arrepios, despistas-te, chegas a casa com o carro batido e não te lembras de nada, tanto te atazanam o juízo... No trabalho nunca te perguntas porque raio nunca és promovido, em casa, com a velhota que esperas que morra, irritas-te e estás por lá o menos que podes, principalmente quando a tua irmã aparece de visita, isso é insuportável e tens receio de te virares ao teu cunhado que te trata como um miúdo de recados. «45 anos e um tesão do caralho»
Cortas um chouriço cozido na sopa de feijão, sentado nas escadas da entrada da casa geminada onde vives, o rafeiro velhote chega-se ao pé de ti e dás-lhe uma rodela, depois outra, o cão quer mais e chega o focinho ao chouriço e tu dás-lhe um biqueiro que o faz ganir durante um minuto, depois volta-se a chegar a ti. Levantas-te e vais para o café, não suportas mais aquilo, o ar de luto da velha, os seus lamentos infinitos que te fazem sentir um assassino, um condenado «João, tu dás cabo de mim, vais matar-me João, essa tua vida deixa-me tão triste». O dono do café é paneleiro e tu comes-lhe a mulher que parece um pau de virar tripas toxicodependente, com mamas grandes. Os carros passam e apitam-te, tu da esplanada a emborcar imperiais acenas e manda-los po caralho, para riso de quem te acompanha, riem-se sempre, não é seu brejeiro?
Adoeces e cais no Hospital, sentes-te mesmo mal e notas que até os peidos te custam e doem, nenhum amigo te visita, aparece por lá a tua mãe e a tua irmã, que se mostram enfastiadas e mal chegam, ainda antes de carpirem qualquer coisa e mencionarem santos para tua exasperação, avisam logo que não podem ficar muito tempo, pois têm de ir às finanças, ao banco, aos correios, ter com o sr ou a sra qualquer coisa. Sentes-te mesmo sozinho mas o teu pénis ainda se levanta, inspirado pelas enfermeiras que levemente cirandam por ali com as suas batas que a tua mente nublada torna mais curtas ... A tua sobrinha aparece, garota de uns 2o anos, com uma prateleira descomunal e um rabo que se parece mais com o 25 de Abril do que o próprio 25 de Abril. Vem com o seu namorado, tão negro que tu encandeado com a luz que vem da janela, só lhe consegues detectar os dentes e mais um detalhe ou outro. Pensas que agora é o tempo deles, dos pretos, que no teu tempo é que era, é que eras... Foda-se, o teu tempo foi todos os dias, o teu tempo nunca passou, reinaste, foste o príncipe regente da Quinta do Conde durante 25 anos, foste príncipe ainda nem haviam esgotos, mantiveste-te príncipe depois da internet ter chegado e induzido homossexualidades que sempre te pareceram vantajosas «ficam mais aqui para o Zé».
Espera agora pela morte, pela morte que se anuncia através dos canais venéreos, pela morte que não te envergonha apesar de envergonhar a tua família. Esperas pela morte e dás um berro à tua irmã e aos seus suspiros, discutem e ela diz que lá não volta, era o que ela queria, um motivo. Morres e já ninguém te visitava há duas semanas, nem a tua adorada sobrinha, que tu calculas que o preto nem deixa sair de casa, fode-a sem parar, fode-lhe a cona, o cu, o umbigo a boca, as orelhas. Mas isso serias tu, meu príncipe, isso serias tu se alguma vez tivesses tido uma mulher tua, uma mulher que fosse tua de sua livre e espontânea vontade, nunca tiveste e morres assim, só, no teu reinado, morres sem deixar herdeiro, já não existem como tu.
...morreste, sim, mas só depois de pedinchar uma última punheta à enfermeira, que ta recusou sem te dar margem para insistires noutro dia. Recusou-te e fode com um tipo qualquer que nem sente 5% do tesão, que tu já meio cego e no leito de morte, sentiste por ela.

Paradoxo

As empregadas de limpeza têm uma tendência para a javardice demasiado evidente para ser ignorada.

quarta-feira, setembro 9

Maniqueísmo

Quem, durante a infância e adolescência leu os livros da colecção "Uma Aventura" da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada, com ilustrações de Arlindo Fagundes, tornou-se culto e inteligente, com bom-senso e sensibilidade social, quem não leu, tornou-se num dos muitos néscios que agora ouvem música de merda e esbanjam libido e odor a cavalo de discoteca em discoteca.
Esta dicotomia só se aplica a pessoal da margem sul do Tejo da zona metropolitana de Lisboa.

sexta-feira, setembro 4

adenda

é como as tascas. Houve uma geração que se quis desvincular delas, afastar-se, porque eram lugares sujos, mal frequentados, agora, estão outra vez na moda. Aliás, é engraçado ver a betaria a entrar na tasca e a começar a falar com o dono, um velho nojento, como se o conhecesse, para impressionar os amigos. Antigamente ninguém queria conhecer tais pessoas. É como as vindimas. Mas ainda bem que as coisas mudam e que agora é fixe outras coisas que não o vestir-se bem e ter um bom carro etc etc.

Vindimas

Antes: Rapazes fortes e com uma halitose que não saia só da cavidade bocal, de nome Quim, Chico, Zé, Augusto, que haviam chumbado no exame da quarta classe, lá iam, em Setembro, numa pequena migração a pé, para vindimar. Precisavam do dinheiro para ajudar a família que tinha dificuldades financeiras e o trabalho duro da apanha, segundo os familiares mais sabidos, enrijava-lhes o corpo e o espírito. Eles não gostavam muito de ir, pois o trabalho era de sol a sol e muito duro, comia-se mal e cagava-se num buraco cheio de varejeiras a resplandecer sob o sol abrasador das três da tarde. Agora: Jovens de nomes como Violeta, Diogo, Tiago e Beatriz, oriundos de famílias urbanas, depois de acabarem um mestrado integrado e terem recusado um trabalho administrativo que consideram desprestigiante, vão para as vindimas para arranjarem dinheiro para o avante e conhecer gajos ou gajas indies que depois vão largar passados uns meses porque durante a mínima dificuldade sentem más vibrações ou um clima pesado. Agora vão de 206 ou C2 e ainda dão um saltinho na praia quando acaba a labuta. E pronto, o Mundo está sempre a girar...

domingo, agosto 16

S.

Nada vai mudar. De Agosto a Fevereiro será como foi de Fevereiro a Agosto. Distância. Mas distância sem insípidas simulações de aproximação.
Mas as ruas estreitas e as calçadas espirituosas que percorrerei não mais serão as mesmas, sabendo eu de antemão que por ali não andarás, que por ali não deambularás com esse teu ar de pessoa com brilho e que encanta sem pretensão. Agora terei a certeza, quando sair num dia em que ameaça chover, que não te encontrarei distraída a dobrar uma esquina dentro do teu casaco preferido, no metro a olhar um indigente pelo vidro, a afagar um cão pulguento que por estar esfomeado se dá a muitos afectos, nem tampouco te verei a levar a bicicleta pela mão por não teres aguentado a subida.
Oiço a música que não é tua mas que me deste a conhecer e vejo já as folhas a caírem dos carvalhos, das bétulas e dos pinheiros, aí nessas ruas geladas que percorres com um sincero sorriso nos lábios e pensas no que te custará vir embora, no que te custará voltar a isto, a esta pangeia humanóide que tão pouco te dá e tão pouco se vangloria com os teus passinhos ligeiros por cima dela. Vai-te custar a regressar àquelas conversas velhotas com um entendimento mútuo que nos aproxima ao mesmo tempo que nos afasta.
Vou escrever-te e contar-te, por meias palavras e com sentimentos contidos, tudo o que é trivialidade nesta cidade, talvez ponha um bocado de luz nas epístolas, antropomorfizações, mas nada de referir a falta que me fazes, pois nunca te tive, nada de referir o quanto te gosto, pois não te quero incomodar, não quero ser o teu Lévin...
S. Irei à cinemateca e em todas as telas ver-te-ei; ficarei sentado sozinho lá atrás, como de costume e não olharei para a porta cá de cima por onde entram as pessoas que vêm atrasadas e não tentarei discerni-las no escuro, porque agora, saberei que não és tu, saberei que estás nas tais ruas, cheias de folhas secas ou cobertas pelos primeiros nevões do ano, ligeira, marcarás teus pés nos corpúsculos frios e alados que tingem tudo de branco, tudo de branco, e os meus olhos, já não serão tingidos pelo vermelho das tuas letras empáticas e compreensivas, pelo teu carinho que não partilha desgraças nem dores.
Fico mesmo feliz por ti, pelo teu olhar que ganhará um novo fôlego, pelo teu bom-senso que continuará a levar-te pelos bons caminhos, para longe de mim...

sexta-feira, agosto 14

Joana

Ao longo da minha vida tenho conhecido algumas pessoas: boas, más, feias, bonitas, simpáticas, antipáticas, enfim, todos os adjectivos de que se consigam lembrar e seus respectivos antónimos. Para além disso, ainda conheci outra pessoa, a Joana. A Joana é uma pessoa muito irritante e durante muito tempo não consegui bem perceber porquê; talvez por até nem antipatizar com ela, nunca me dei ao trabalho de perceber que raio a tornava tão irritante, hoje, acho que entendi a razão e não, não é da voz garrafonal. A Joana é uma pessoa que é incapaz de dar feedback sobre o que quer que seja. Por exemplo, nós dizemos que conhecemos um drogado que teve 4 overdoses e agora anda por lá a deambular à porta de nossa casa, a Joana imediatamente diz que tem um primo que já teve 6 overdoses, que batia na mulher, violava criancinhas e contrafazia vinho tinto enquanto urinava e defecava em simultâneo. Outro exemplo: nós dizemos que ao chegar ali tivemos um susto de morte porque um carro nos ia atropelando, imediatamente a Joana responde que uma vez tinha sido ameaçada de morte por 3 pastores alemães cheios de pulgas ao mesmo tempo que era perseguida por um eléctrico numa rua a inclinada e sem ombreiras de portas.
- Este melão é mesmo bom - diz um qualquer ser incauto sem ponta de pretensiosismo.
- Eu já coumi melão tão buom, nada a ber com essas bossas merdas mouras, melão com pêlo, que ladrava, sim, melão que ladrava, um até me mordeu no braço fuoudasse, filha da puta. - diz Joana enquanto mostra uma picada de melga no seu braço alvo e dos seus olhos fundos que coriscam sai um ligeiro desprezo que reverbera insegurança e necessidade de mais um cigarro embora o anterior ainda queime lentamente entre os dedos da sua delicada mão.

segunda-feira, agosto 10

Masturbação Falhada

Primeiro que tudo, tenho de anunciar que deixei de ver pornografia. Apaguei o que tinha no disco e retirei aqueles 15 links dos favoritos. Sei que talvez perca alguns amigos por causa desta decisão e que de certeza me vão acusar de ser um herege.
Deixei de ver pornografia porque acho que poderá ser terapêutico; andava a ficar muito perverso e fetichista, então achei por bem fazer uma espécie de reset mental e regressar àquela pureza criminosa e cheia de esmegma que caracteriza a adolescência, em que ia atrás duma mulher com uns glúteos briosos e arrancava os meus próprios cabelos para conseguir evitar violá-la na via pública. Ver se diminuo também a frequência do onanismo, para jorrar que nem um cavalo e ficar com o epitélio peniano a pulsar durante uns cinco minutos depois de me vir.
O vicariante encontrado para a pornografia, foi, com grande naturalidade, o hi5 - seria interessante saber por quantas masturbações é o hi5 responsável. Com o claro intuito de bater uma punheta, visitei o perfil de uma antiga colega da faculdade, a Caty; uma tipa por quem eu a dada altura desenvolvi um fetiche, porque queria comer uma gorda e a gaja era um gordinha jeitosa; acho que nunca cheguei a falar com ela, tinha três telemóveis e ar de parva, mas não era um ar idiot-savant, era mesmo aquele ar parvinho, hermetizado pela burrice e total ausência de espiritualidade. Agora está magra e... foda-se, que fotografias irritantes, tanta felicidade espelhada em poses idiotas em que invariavelmente aparece coberta, pois as estrias e a celulite devem embaraçá-la.
Mas o que realmente me incomodou, foi a apologia da saudade, a nostalgia dos anos passados na faculdade. Mas que raio? Uma personagem secundária que nunca abriu a boca numa aula, que era um satélite daquela gaja arrogante e irritante de Barcelos com ar de quem tinha o vibrador avariado e o namorado se andava a vir cedo demais. Ela simplesmente ficava por ali, mais duas ou três azémolas, sentadas numa mesa a falar de iogurtes, dos namorados néscios e das férias em locais paradisíacos que por vezes eram estragadas por pêlos encravados nas virilhas. Ainda assim, agora, aparece por lá (nas fotos) com o seu namorado, mas nunca o nomeia, nunca refere uma ligação que é óbvia, não sei se é dele lhe ter pegado chatos ou de ter cara de parvo, a realidade é que ela parece, apesar da fraca idiossincrasia que lhe conheço, manter as possibilidades em aberto, quem diria... é apenas mais uma de nós.
Mais um dia de abstinência.

domingo, agosto 9

terça-feira, julho 21

Obsessão

Tindersticks - Jism

On a sunday afternoon

- “What the fuck is wrong with you? Snap out of it!!!

The concert was simple but cool, the temperature was mild, the river didn't smell and the company was good. I guess there was something missing there, like another zombie - a blonde one, beautifull and vivid eyes, "petite" but tough, craving for a Red Bull or drinking some wine or a "mini" and - that's why - smoking a marlboro light or silver slowly, enjoying each drag like the last one, now that the guilt for smoking has gone with the alcohol, always non-dependent and thinking by default efficiency-first...maybe she would be a little bit impatient towards the end, i'm not sure but i'll bet on that...

I would hug her in the small colored, unconfortable and wheeled islands that smell like the countryside, knowing that the tighter the grip, the easy it breaks, but i think she wouldn't misunderstood me. I would "take care of her ass and legs", understanding the real meaning of it, and knowing that i wouldn't like to do anything else, than just cudlle her soft and gentle skin... And then the distorted perception of time as it would stop for me for a little while - no musicians, not always the maintheme-saximprov-pianoimprov-bassimprov-maintheme-end song structure of jazz standards, no people coming out of the boat station looking , suprisingly, tired at the sunset and on a hurry on a sunday afternoon, no seagulls picking on a piece of something floating in the water, no boats bridging everyday lifes between home and work, work and home, no stupid tourists with guides in their hands, striking the pose to every scenario they find, no cars honking on our back to a drunken old man that kneels on the zebra praying and crying, no anger, stimuli, observing, parallel thinking and processing all the time... just silence and her for a little while - and then time could shift and accelerate to lightspeed, like the last time i was with her and we both were zombies...

- “Oh, Thank you for asking. i'm not depressed or anything, it’s just the city...ok, maybe, i've got a little bit of city sickness, but i guess it's normal on a Sunday afternoon.”

quarta-feira, julho 15

Cabo Espichel

The future lay sparkling ahead and we thought we would know each other forever.

terça-feira, julho 7

Queimada.

a kaya disse uma coisa que me ficou nos ouvidos: "que se fodam os médicos: wikipédia e google e mais nada" e eu vejo-me obrigado a concordar. Depois vejo também este vento a jogar com as cortinas da sala e a voz da minha mãe que estava mais forte dizendo que até tinha vontade de comer. e sinto.me com mais força para encarar o medo. e não sei quem é que comentou que vinha a este blogue e que era sempre o mesmo discurso, repetido vezes sem conta. Quem tal escreveu é um ignorante, uma alma simples que não conhece quem aqui escreve, estas seis sete oito pessoas que são muitas mais e que vão tentando encontrar um caminho neste jogo de enganos e incertezas que é a vida. Somos aqueles mecanismos que ao esbarrar numa parede voltam para trás. A melhor fuga é para a frente, ou para os lados, mas é preciso força para voltar atrás. "É duro admitir as nossas limitações" e é mesmo. Perceber que, por muito que queira, não consigo fazer uma determinada coisa, e.g: o cristiano ronaldo sorrir sem um esgar que mostra parvoíce, ou os gajos do cds não serem uns fascistas encobertos. Acho que depois de certa idade é mesmo impossível ser-se feliz. Ou então é preciso abraçar uma nova religião, que é como quem diz uma nova forma de ver as coisas, e talvez aí já entremos no domínio da cientologia. Tudo é aprendizagem, afinal de contas. E hoje é Lua Cheia. ok. E há gente que pensa: se não consegues vencê-los, junta.te a eles. E eu penso assim: se não consegues vencê-los, foge deles. Para o Marão. Ou Alvão, ou para uma dessas potentes serras a Norte, quando a lua está plena, e ilumina aqueles planaltos, e vemos luzes vermelhas na distância a assinalar o poder de geradores eólicos a laborar em plena noite, neste bréu intenso, medonho, cheio de poder, cheio de raiva e calma. e vemos a neblina que cai sobre os vales entre as serranias e deixamos o diafragma da máquina aberto, e revelamos a fotografia, ou vemo-la logo ali, no ecrã digital, com imensas estrelas e as tais luzinhas vermelhas na distância. É uma das imagens de mais poder, esta. Aposto que o sr doutor nunca esteve presente lá. a minha mãe esteve. só mais esta frase: "Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera." 

sexta-feira, junho 26

"People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed."
Bob Dylan

sábado, junho 13

A Minha Reacção

Que se fodam os turistas, especialmente os que perguntam por lugares ou coisas "não turísticas" com um guia na mão. Que se fodam os ambientalistas, vegetarianos, ovolactovegetarianos, vegans e afins e todos aqueles que julgam que tem uma consciência moral superior. Ainda não descobrimos como cuidar das pessoas, quanto mais da natureza, dos animais e, a suprema hipocrisia, do planeta. Que se fodam os Santos Populares e todas as desculpas institucionalizadas para beber. O álcool não cura o vazio, nem a solidão e nem aproxima a distância que temos das pessoas. Que se fodam as religiões e todos os empecilhos e intermediários que nos impõem para nos aproximar de Deus. Que se foda a polícia que ao revistar um grupo inter-racial, espanca dois pretos até ao coma como resposta a uma provocação. Que se fodam os pretos que foram espancados, por escolherem uma boa altura para demonstrarem a sua virilidade social. Que se fodam as lésbicas que afirmam a descoberta da sua identidade sexual única, imitando uma personagem de uma série de televisão. Shane on you! Que se foda o sistema político bicéfalo e a ilusão de democracia que temos. Não existe esquerda nem direita, existe o poder. Que se foda a desculpa da crise que serve para os patrões poderem justificar os lay-offs, deslocalizações e falências e assim manterem ou aumentarem os lucros e para as pessoas baixarem as cabeças e justificarem a sua própria incompetência. "The history of our times calls to mind those Walt Disney characters who rush madly over the edge of a cliff without seeing it, so that the power of their imagination keeps them suspended in mid-air; but as soon as they look down and see where they are, they fall." in "The Revolution of Everyday Life" Raoul Vaneigem

terça-feira, junho 9

Alfred Hitchcock Presents

- Gostas de mim?

- Sim.

- A sério?

- Não.

- Mas... Estúpido...

- Porquê?

- Por que é que disseste sim?

- Porque era o que querias ouvir.

- Anormal...

- Estás a chorar para quê?

- Para nada...

- Preferes que te minta?

- Não...

- Então porque é que ficas fodida quando te digo a verdade?

- Não é o que eu quero ouvir...

- Por isso disse sim. Mas não me podes censurar por ter respondido sinceramente à tua segunda pergunta.

- Mas tu és parvo? Pensas que isto é um exame oral? É uma entrevista de emprego? Pensas que eu sou um computador? Sirvo só para a punheta e para brincar?

- Estou apenas a ser objectivo.

- Vai-te foder, anormal de merda! Se soubesse não te tinha dado troco...

- Rigorosamente, deste-me €1 a menos do que devias. Foi para meteres conversa comigo?

- Sim, anormal de merda, mas mais valia ter-te deixado passar!

- Sim, mais valia. Nesse dia o euro fez-me falta para o parquímetro.

- Não vales nada... Nunca mais te quero ver à frente! Paneleiro de merda! Robot do caralho! Devia cuspir-te a nhanha que engoli para cima!

- Agora será impossível. Já foi digerida. Tens de admitir que te reduziu o apetite.

- Vai-te foder! Porque é que me despedi do LIDL... Agora era Chefe de Loja...

- A tua falta de ambição choca-me. Podias estar no Continente. Ao menos é português e faz parte de um grupo que tem uma quota sólida no mercado de valores. Se bem que a SONAE SGPS tem andado em baixa.

- TU ÉS UM MONSTRO!

- Não. O que queres dizer é que sou um indivíduo que não responde aos estímulos externos normalmente. Situo-me fora da norma, o que, evolutivamente, não atrai tantas fêmeas.

- Não acredito nisto... Despe já o meu soutien e a minha tanga! Quero ir para casa!

- Não podes. Para termos benefícios fiscais, casei-nos e cessei o teu contrato de aluguer.

- Não podes fazer isso!... Como é que conseguiste?... E as minhas coisas?...

- Decidi que devias mudar de estilo. Vai comprar roupas novas.

- Monstro... Verme... anormal... Prefiro viver na rua...

- Nesse caso, aconselho-te a esclheres as arcadas de prédios dos anos 50 ou 60. São sólidas e têm uma disposição mais ergonómica.

- Vai para o caralho...

- Compreendo a tua insatisfação com a situação. Neste momento não é reversível.

- Abre a porta... JÁ!

- Não há necessidade de exaltações. Sairás daqui em altura oportuna. Ou alturas, visto que irei retalhar o teu corpo em pedaços mais pequenos, alimentando uns cães vadios na zona de Frielas. Penso que ninguém desconfiará.

- NÃO!!!! DEIXA-ME SAIR! ASSASSINO!

- Não adianta. Neste prédio só vive uma senhora de 89 anos, surda e com Alzheimer.

apologia a s-ó-c-r-a-t-e-s

encontrei isto no "tablier" do multibanco, abandonado. Aqui o que terá sido a gota que fez transbordar o copo de um dia aziago e que provavelmente terá sido o principal motivo para alberto matar a sua mulher.

quarta-feira, junho 3

Mensagem Silenciosa 23 1/3

nascimento_rodrigues.pagina

WI14950273_actor-willem-dafoe-grand-classics

Herbalife ou Jesus?

Ao entrar numa fila de trânsito, gosto sempre de ver o carro à frente. Mesmo que não gostasse, tinha de levar com ele. Mas gosto de ver a matrícula, o ano, eventuais autocolantes no vidro traseiro… Hoje, ali em frente do Campo Pequeno, fiquei atrás de uma Opel Astra de 96, com um condutor que me pareceu, pela tez e feições brasileiro, com um espelho retrovisor gigante, igual aos que se usavam nos carro de instrução no antigamente. Até aqui tudo bem. Conforme me aproximo do carro, vejo que tem umas letras enormes coladas no vidro traseiro. Primeiro pensamento: mais um gajo que foi submetido a uma lavagem cerebral pela Herbalife. Segundo pensamento: ou então uma gaja com o cabelo muito curtinho. O que dizia de facto aquele composto de letras adesivas? “Jesus está Vivo!” Fiquei contente. É bom saber que alguém que está morto vai para 2000 anos voltou à vida. Ainda para mais, quando é uma figura pública que é esperada por muita gente. Só tenho pena que quando Lázaro ressuscitou não houvesse o desenvolvimento na indústria dos adesivos que há hoje, que em 2000 anos se desenvolveu de forma exponencial.

O senão daquilo foram as letras pequena, por baixo das maiores. Sim, é sempre importante ler as letras pequenas, não vá um dia sermos acordados por umas pontadas na barriga, enquanto cirurgiões retiram pedaços do nosso saudável (ahem) fígado para doar. O que diziam estas letras? “Eu falei com ele hoje!” Ok, meu amigo zuca, uma coisa é dizeres que fulano está vivo. Agora, que falaste com ele hoje? Mas quem é que acredita que, depois de 2000 anos morto, sempre à direita do pai, sem poder comer uma gaja, fumar uns cigarro e beber umas jolas, Jesus, uma figura mediática, reconhecida por todos, ia logo falar com um brasileiro, imigrante em Portugal, a conduzir uma Astra de 96 com um retrovisor panorâmico? Ó eras! Se eu fosse Jesus, ia em primeiro lugar procurar uma prostituta para a salvar (se me faço entender), beber uma mini com uns amendoins, e ler A Bola para ver como está a safar-se o Calipolense nas distritais! Agora, falar com um gajo que há décadas reza e canta? E que anda com uma cruz ao pescoço! Se eu fosse Jesus, a última coisa que queria ver à frente era uma puta de uma cruz, que pelo que vi na Paixão de Cristo, deve ter doído um bocadito (Hicks, 1992).

Assim, e para concluir, acho que a Herbalife é como Jesus: parece uma solução viável para os nossos problemas, mas acaba sempre por nos desiludir.

quarta-feira, maio 20

gestos.

há uma coisa curiosa que se encontra, grosso modo, nas pessoas que bebem café com açúcar. Nem sei se vale a pena escrever sobre ele, ocupar o vosso tempo, excelsos e augustos e áureos amigos, que eu já não vejo há tanto tempo, olá olá adeus, que me vou embora, para a costa do marfim. De qualquer forma, no bebedor de café )referência literária agora( suuuussstância, aliás, que o próprio Honoré de Balzac abordou como sendo um dos recrimináveis excitantes modernos, há um hábito curioso que, parece-me a mim, simboliza, exemplifica e é uma metáfora de uma data de coisas. Ou não. O bebedor de café ou tira o café por ele(A) próprio(A - só por causa das merdas da emancipação feminina e dos direitos e esquerdos da mulheres e o caralho é que este á em caps lock está aqui) ou então pede um café à pessoa do outro lado. Recebe, sente o aroma, bota-lhe açúcar, mexe e, eis aqui o objecto de fala, ou de escrita, desta treta toda, meus amigos, ele, ou ela, retira a colher, ou a palhinha de plástico, e sorve a colher. Isto é delicioso. O bebedor de café, após ter a certeza que o seu café incorporou bem o açúcarzinho que lá botou dentro - conforme o seu gosto glicodoce e/ou os problemas figadais ou diabéticos - retira o instrumento que usou para tal fim, e lambe-o. Meus amigos, ele, ou ela, laaaaaaaaaambe voluptuosamente a colher. Mas o que significa isto? Não faço a mínima ideia. Mas há como que esta antecipação do curto prazer que se vai ter com o líquido agora defronte de nós. Quente, cheiroso, upa, lambemos a colher, ah, que bem que isto me vai saber. Imagino a frustração delapidante de quem, após a lambidela proverbial, lhe fosse retirado o café. Puta que pariu. Mas a lambidela meus amigos, a lambidela na colher, o que significa isto no ser humano? Imaginemos, assim só pela piada da cena e porque tenho interesse em parecer bués interessante e que medito muito nas coisas e tenho muita piada, ah-ah, imaginemos um homem, há uns milhares de anos, antes de comer o costeletão de mastodonte (algo parecido com o que hoje em dia se pode degustar no Fuso, de Arruda dos Vinhos, salvé a tal sítio pela sua existência no panorama gastronómico-pantagruélico-orgiástico Ibérico) lamber-lhe primeiro uma partezinha do osso que estava de fora da bruta carne, pingando de líquidos sanguíneos quentes: ui baldur, que bem que isto te vai saber meu amigo. - Num outro apontamento, quero deixar aqui bem claro que não acredito nesta merda da gripe suína.

domingo, maio 17

na aldeia de joão pires

na aldeia de joão pires, a terra de meu pai, ao pé de Penamacor, enquanto descíamos um caminho que eu não fazia há anos. enquanto andávamos, mas sempre atentos às carraças, que é tempo delas, e tinha chovido. e eu a mirava.

segunda-feira, maio 4

(.) (.)

Com um ligeiro tom de troça, dizem-me que agora jogas noutra liga, não mais cor-de-rosa mas certamente menos fálica; que danças voluptuosamente no Incognito para uma butch provavelmente preenchida por inseguranças e por um debilitante medo de te perder que as tatuagens não conseguem camuflar.
Habituei-me a ouvir nas conversas entre conhecidos, a ver nas sitcoms da TV, dar-se grande valor a esse fenómeno: «será que tive culpa?», «será que foi por causa de mim?», «será que não lhe dava prazer nenhum?», eu não coloco a mim próprio nenhuma dessas questões, não me sinto minimamente interessado ou incomodado. A única coisa de que me lembro é que querias que te mordesse os mamilos com força e, nem com isso me preocupo.

A FEIRA DO LIVRO (ou outra humanização) - Full Version (que segundo críticos condescendentes necessita ser barbaramente editada) FODEI-VOS

Subo a praça com o ar do costume, com aquela essência depressiva que desde cedo me tirou a candura que me fora atribuída pelas cores do meu avatar. Para sentir uma certa intimidade no acto da leitura, compro livros já manuseados que ao contrário dos novos em folha, me permitem idealizar uma certa volúpia. Compro-os sem trocar uma única palavra com o vendedor de ar carregado que se aligeira uns milímetros no degradê das expressões faciais com a presença das notas. Julgo não estar realmente deprimido, mas creio que é assim que naturalmente pareço. A cabeça volve-me sempre para o chão, pisos que minha memória acaba por guardar e, o meu ar é tendencialmente melancólico; torno-me num suspiro invisível, numa recordação permanente, num sentimento mau que nasce devido ao findar de todos os bons que em tempos existiram e que naturalmente cessaram sem qualquer autorização por parte de minha pessoa. Está vento e várias barracas modernas e limpas preenchem a praça; vendedores de vários tipos estão atrás das bancadas e aguardam interpelações de leitores ou de pseudo leitores. Alguns dos vendedores já são uma manobra comercial: vestem t-shirts relacionadas com o tipo de livros que vendem ou são demasiado belos e musculados para o contexto. Todavia, ainda existem os misantropos que pouco se importam com aquilo que vendem, limitam-se a ver passar os dias que jamais findam com a agonia de nunca terem conseguido criar algo significativo para seu insaciável ego. Sinto frio e aperto o casaco até ao queixo irritado pelos sucessivos barbeares, o vento continua a soprar e por vezes, num instante que várias coincidências transformam em silêncio absoluto, faz-se notar através de um imperial assobio. Continuo enlevado nos meus pensamentos e com a certeza que não irei ao outro lado da praça: demasiados livros, demasiados estímulos, tenho de pôr cobro a uma necessidade, visto não ser bom precisar de coisa alguma. Rondo uma banca, quero comprar um livro mas o vendedor ali não está, penso em roubá-lo, mas, está demasiada gente. Gente desce a praça, gente sobe, conversas pedantes aqui e ali, observações incautas e despropositadas que se escapam a um desmentir, a uma correcção que um dia fatalmente acabará por chegar. Casais de namorados rondam as bancas e não compram livro nenhum, por ali deambulam porque os livros sempre foram românticos, sempre falaram sobre amor e casais, estórias romanescas e virtuosidades infinitas. Ler? Nem todos lêem; livros? não os compram, mas escrever não é só para ser lido ou comprado, o livro é muito mais, o amor também não existe apenas para ser sentido. A minha visão lavada no luto da solidão começa a dar-me fortes dores de cabeça e tudo se vai turvando. Reparo que alguém me observa, estabeleço contacto visual e o observador a mim se dirige, é o vendedor que estava na banca da frente e tomava conta daquela que continha o livro que me interessava. Compro o livro em mais uma silenciosa transacção. - Tem algum livro de Dostoiévski? - interroga uma voz feminina. - Não, agora não - responde o vendedor - tinha mas acabei de vendê-lo, mas ao longo da feira trarei mais livros dele. - Procura alguma obra em particular? - interponho-me eu. - Não, nenhuma - responde ela - quero comprar todos os livros dele. Por menos esperança que tenhamos, por mais frios e calejados que os nossos corações estejam, há sempre algo que os acorda, há sempre um choque eléctrico que nos vem pôr à prova e terminar o silêncio interior, substituindo-o pelo brutal pulsar do coração. Aqui está ele, aqui está ela, vestida de preto sem qualquer pretensão a membro de uma tribo urbana. Cabelos lisos e cara magra. Parece-me bela mas nem reparo bem. Quero dizer-lhe que já li muito Dostoiévski, que a posso ajudar a procurar, que lhe posso emprestar os meus livros, que é um autor fascinante, um pioneiro da análise da mente humana, que a adoro só por ela ter essa curiosidade, que é bela sem eu a ver, que lhe quero tocar só por ela o mencionar. - Já vi por aí alguns há venda - digo - ali naquela banca parece-me ter lá visto o Jogador - digo eu apontando para uma banca uns dez metros abaixo. Cruzamos um breve olhar, que da parte dela é regado a um agradecimento constrangido e certamente imprevisto e, seguimos em sentidos opostos. Desejo olhar para trás e faço-o passado uns passos, já não a encontro, já nem sei como ela era. Relativamente alta e morena, é o que sei. Sinto-me incomodado por a ter deixado partir sem nada tentar, sinto-me incomodado porque nada tenho a perder, sinto-me incomodado porque é assim que nascem todas as histórias românticas com algum sentido, pelo menos no meu doentio imaginário. Penso que ainda vou a tempo de voltar para trás, mas continuo a subir a rua e sei que a cada passo que dou, mais longe fico do retrocesso que a não acontecer, me atormentará por algumas horas... Encontro o Jogador e as Recordações da Casa Morta, livros que já tenho, num impulso, compro-os. Desço com passada larga e procuro-a sem grande esperança, sem acreditar que caso a encontre, lhe diga alguma coisa. Mas se não descesse, estaria a escrever isto? Talvez sim, por ser eu, porque eu escrevo sobre a realidade seja ela interessante ou não. Vejo-a, de saia e com uma espécie de xaile que lhe dá um ar distinto, não tenho a certeza que é ela, parecia-me estar de calças, mas é relativamente alta e tem o cabelo preto liso, uma cara esguia e olhar vivo e temeroso. - Toma, encontrei estes. - ofereço-lhe os livros de edição antiga e gastos por mãos alheias. - Não posso aceitar. - diz-me com um dos ares mais espantados que jamais vi. - Aceita, insisto. - Tudo bem. - agarra nos livros enquanto tenta disfarçar um sorriso de espanto. - Posso ajudar-te a procurar outros. - Mas eu vou-me já embora... - Tudo bem. - respondo constrangido, embaraçado pela clara impressão de que estou a ser inconveniente. - Ia mesmo agora apanhar o metro... - Então se não te importares, acompanho-te. - digo eu num esgar de desespero, com a minha garganta completamente seca, que me dói ao articular as palavras tal é a falta de lubrificação; sinto-me um autêntico suicida perante a subtil e iminente auto-humilhação. - Claro que não, ora essa. - responde-me ela com um sorriso e entretanto, ao mesmo tempo que me volto a sentir humano e minimamente digno, reparo num verde nos seus olhos que no primeiro contacto me tinham parecido tão castanhos. - Rita. - diz-me ela, oferecendo-me a mão para o cumprimento. - Júlio. Aperto-lhe a mão pequena e esguia que apenas senti aproximar-se, visto ter-me escapado à visão e, sinto-me feliz, animado por alguém me cumprimentar daquela forma que sem saber porque, me diz tanto. Beijos inquietam-me, deixam-me constrangido tal como qualquer espécie de precoce intimidade física. - Para onde vais? - indaga-me com um ar alegre, cheia de vida, com um sorriso que exibe um canino fora do lugar e com demasiada gengiva. Não respondo logo, fico absorto na sua dentição e numa espécie de proto-rugas junto dos olhos. - Está aqui alguém? - pergunta-me ela ao mesmo tempo que estala os dedos mesmo à frente da minha face. Talvez me apetece-se agarrar-lhe naquela mão frágil capaz de estalar os dedos de forma tão ruidosa e levá-la até perto de minha boca e nariz, depois beijá-la e nada dizer, nenhuma pergunta ouvir, sem existir um qualquer senso à procura de se manifestar. - Claro, estou cá eu - respondo mantendo-me monoexpressivo - vou para onde fores, acho eu. - Isso tem piada. - observa ela, tirando os olhos de mim devido ao constrangimento gerado pela minha inopinada resposta. Vamos em silêncio e eu sigo-a sem reparar a direcção que ela toma, noto apenas que se desvia da entrada do metro onde um pedinte me olha nos olhos e segue para uma rua íngreme onde nos cruzamos com um velho tacanho de ar pícaro que nos olha de uma maneira tão agressiva que a mim, pessoalmente, me faz sentir invadido. - Perdeste as palavras? - indaga-me acerca do meu silêncio. - Talvez nunca as tenha encontrado. - É por isso que lês? - Provavelmente - respondo sob a forma de um suspiro - e tu, porque lês? - Leio pouco, apenas calhou passar por ali. Continuamos a subir, agora por ruelas estreitas ladeadas por prédios de quatro andares em que nas janelas está roupa branca estendida e ali mais à frente, o passeio muito estreito está ocupado por um saco de entulho que invade parte da estrada e dificulta a passagem dos carros que quando ali transitam descaracterizam a pasta sonora, abafando o som de talheres de pessoas que jantam, dos impropérios de discussões audíveis em todo o quarteirão; carros que nos obrigam a adoptar a fila indiana e me permitem reparar nos seus gémeos longílineos e apertados pelas meias elásticas. - Eu vivo ali em cima - diz apontando para o final da rua, onde não havia esquina, pois o último prédio da rua tinha a parede curva. - Ali onde estão as obras? - pergunto, referindo-me a um prédio que estava com andaimes e coberto por uma espécie de rede que lhe tapava toda a alçada frontal. - Sim, é o prédio em frente desse. - Conheces bem esta zona? - pergunta-me revelando dificuldade em articular as palavras, visto o seu fôlego ter sido exaurido pela íngreme subida. - Acho que não conheço bem nenhum lugar. - És sempre tão enigmático ou tentas impressionar-me? - Hum? - É que se é o que tentas, sinto-me lisonjeada. - És bela demais para te sentires lisonjeada por mim. - Tens a certeza, já olhaste bem para mim? - pergunta-me com uma ponta de indignação na voz. Fico em silêncio, sem saber o que lhe responder, leio poucos livros com diálogos e não consigo que ela oiça os meus pensamentos que a elogiam e lhe seguram na mão frágil. - Vá, olha bem para mim. - diz ela enquanto dá dois passos mais rápidos e se coloca à minha frente de braços abertos, impedindo a minha passagem. Observo-a, iluminada pela luz amarela brotada por um pituresco candeeiro. Ela fecha os braços e ali fica, fixa nos meus olhos que a perscrutam com atenção, usufruindo daquela oportunidade o mais que podem. O seu xaile fino abre-se um pouco com o vento e noto-lhe os ombros esguios e ossudos, subo o olhar e vejo-lhe as orelhas com vários furos, num estranho impulso, ergo a minha mão e desvio-lhe a franja encontrando uma grande cicatriz, ela engole em seco mas não se move. - Já viste tudo? - pergunta-me, nervosa, intensa... - Não. - respondo de forma seca e determinada. - Já chega. Responde-me e volta-se de costas para mim. Parece-me que compõe a franja e respira fundo. Fica alguns segundos de costas e eu não me atrevo a dizer ou a fazer o que quer que seja. Repentinamente volta-se e: - Não, agora não vou permitir que analises ao pormenor o meu rabo, agora é a minha vez de te ver bem. Olha-me nos olhos com um sorriso nos lábios que se revela efémero pois logo desaparece substituido por uma expressão carregada de curiosidade e atenção. Sinto-me tão inseguro enquanto extático sou detalhadamente observado por aquela estranha. No minuto em que ela me observa e pela primeira vez sinto o seu perfume, penso no céu alaranjado pelo crepúsculo, que sem ver, sei que está atrás de mim e que contrasta com este tão escuro que aparece no Leste, penso também no quão mal ela vai achar da minha fronte demasiado proeminente, das minhas orelhas grandes e com pêlos, dos meus lábios secos e gretados que ela agora, com um dedo, percorre. Passado um pouco, pára e encosta-se à parede do prédio por onde sai uma criança de calções com uma bola de futebol na mão, fica de lado para mim e vejo o seu perfil de queixo pequeno e nariz empinado. - Isto é tudo um bocado estranho, não é? - pergunta-me olhando para o céu que aparece sem núvens logo a seguir aos lençóis brancos que se agitam bastante com o vento forte. - Somos dois estranhos, normal que seja estranho. - respondo, novamente lacónico. - Trazes essas frases escritas num papel? - petulante, provoca-me. Fico em silêncio, pois não sei o que responder. - O teu silêncio intriga-me. - O meu silêncio não tem qualquer intenção consciente. - Mais uma dessas frases? - gozas comigo de forma ansiosa, com uma gesticulação particular que só agora começo a notar. - Saem-me... - tento eu justificar-me. - Frases perfeitinhas e ofereces livros, é assim que engatas? Ris-te nervosamente e como olho para o céu ao invés dos teus olhos, ficas com um ar pesado e arrependes-te da tua afoiteza. - Pareceu-me que devia a mim mesmo a oportunidade de te galantear. É a vez dela ficar em silêncio, fixa em mim e com os contornos esguios iluminados pelos faróis de um carro que aparece por trás. - Achas que foi demasiada afoiteza de minha parte? - Talvez - responde de chofre - mas as pessoas têm de se conhecer de alguma fora e eu não sou defensora de mecanismos assépticos. - Ainda bem. - Porra, nunca sorris? - indaga, adaptando a impaciência e o nervosismo que sentia à questão que colocou. - Será que o sorriso é assim tão importante? - Claro que é. - É que toda a gente me cobra o facto de não sorrir, parece que... mas porque raio é tão importante? - Sei lá, é uma coisa primitiva, um guia para o sucesso interpessoal. - Um guia para a normalidade? - indago eu com algum azedume. - Não tem a ver com isso... - Então tem a ver com o quê? - Tem a ver com o facto daquilo que tu fazes indicar que gostas de mim, mas eu olho para ti e nada me diz que gostas de mim, fico completamente baralhada, porque me parece que nada sentes e eu preciso de ver em ti, não posso simplesmente ouvir as tuas palavras frias e ver os teus gestos alexitímicos para acreditar que gostas de mim. Volvo a cabeça para baixo e procuro dentro de mim algo que apazigue os seus anseios e algo que prove a mim mesmo que eu sinto, que todas as minhas acções desde há momentos têm fundamento. Precipito-me para ela e beijo-a lentamente com os meus lábios secos e gretados, agarro-lhe as mãos e sinto todas reentrâncias e saliências dos seus dedos frágeis e femininos, aproximo-me e surge um natural abraço acompanhado por contactos linguais e trocas salivares bem doseadas. O pulsar do coração invade-me todo o celoma e corro o risco de ficar surdo se assim continuar, mas não me importo, não me importo deste ser o último ruído que ouço, deste som terminar com a minha existência que no fundo, por mais subterfúgios que encontre, sempre procurou encaminhar-se para este momento ou para momentos muito semelhantes a este. - Muito obrigado. Agradece-me com um sorriso de alívio e intriga-me com tal deferência. - Porque raio me agradeces? - Porque pela primeira vez desde há muito tempo, não me sinto como um trapo velho, um ensaio nunca transformado em cena. - És sempre tão transparente? - Não o consigo evitar, a minha transparência é tão fácil, a minha paixão tão aberta e intensa, amo-te loucamente e digo-to já, mesmo sabendo que tal coisa não se diz e só me faz ter a perder. - Admiro-te por dizeres isso, embora não saiba porque. - Lá estás tu com as tuas frases, meu amor. Passadas algumas semanas que talvez tenham sido apenas dias muito intensos de uma perfeição incomportável que na ausência um do outro traz angústias atrozes e ansiedades de separação, acontece algo: - Porque raio me ofereceste livros de Dostoiévski? - pergunta com um confiante e triunfal ar de curiosidade - nunca foi autor que gostasse, demasiado realista. - Mas tu andavas à procura de livros dele... - Eu? - Sim, tu. - Deves ter-me confundido com alguém, meu amor... P.S. Muita gente fez força para esta estória não ser publicada, disseram-me que estava uma merda e que era a pior coisa que eu já havia escrito. Mas, existem coisas que têm de ser contadas. O Júlio assim desejaria. Que descanses em paz, camarada.

Accão

é impossível ser feliz sozinho. o resto é mar.

Reaccão

Quero ser sniper. Quero perder de vez o medo de usar os punhos e levar porrada. 
Quero agredir primeiros-ministros, chefes de estado, o cabrão que me passou à frente, os drogados que fazem fila à minha janela, os empregados do McDonalds que me colocam batatas fritas pela metade e me dão hambúrgueres desalinhados. 
Que se foda o livro de reclamações, quero as mão doridas.
Quero que se foda. 
Tirem o sinal analógico já. Que cortem a internet, os 50 e muitos canais. Que o Vital Moreira aprenda a sorrir sem parecer que está a gozar ou caso contrário continue a ser apedrejado.
Têm de haver responsáveis por esta forma de vida, pela monotonia, pela falsa liberdade.
Que se foda "pelo menos vota em branco" e a demonstração de cidadania por dois minutos. Assassinem Obama e dêem-nos esperança, vontade de lutar.
Deixem-me auto destruir se é isso que quero. 
Que se fodam as obrigações familiares. 
Que se fodam os sindicatos e a "Representatividade política".
Que se foda a apropriação da cultura como sinal de inteligência e superioridade. Que se foda o último filme independente.
Que se foda a simbolização da esperança para nos manter mais um tempo acorrentados. Que se foda a Susan Boyle e o Mickey Rourke.
Que se foda a carreira militar.
Que se foda se queremos dar uma queca na namorada de um amigo.
Que se foda a única esperança de continuar a foder como ilusão do amor.
Que se fodam as mensagens escritas de 10 em 10 minutos. 
Que se fodam as pessoas que nos fazem sentir belos, porque precisam de nós.
Que se fodam os amigos que precisam de estar em permanente contacto.
Que se fodam todas as expectativas que têm de nós.
Precisamos de uma qualquer encarnação do Mal . Um alvo. Queremos destruir, mas dão-nos a "liberdade que se conquistou". 
Comecemos por colocar um fim na demanda civil de moralidade e justificação em cada acção nossa.

quinta-feira, abril 30

traque list

"surge então uma nova banda afro-lusitana no panorama musical alternativo português. Procuram fazer covers de opeth, ao ritmo quente, dengoso e muitas vezes furioso de ritmo e tesão, de funanás, kudurus, mornas e frias. O nome deste agregado de pessoas com um gostinho musical é ÓPRETA! e o último álbum dá pelo nome de MEMÓRIAS ECTOPLÁSMICAS, ficando aqui a track list:
1- aparição da perdição.
2- a baía dos porcos (américa).
3- em baixo do fiozinho (muitos pêlos).
4- tontice.
5- ai memória: a mata dos harlequins.
6- horas de riqueza (subsídio).
7- a grande praga.
8- choldra: anos de prisa."

might as well face your addicted to love!

acho que os taxistas acham que são os repositores da perdida ordem automobilística, dos antigos valores de tráfego automóvel. Para estes biónicos homensviatura, tu e eu somos os móveis desarrumados do mobiliário urbano. Tem cuidado ou levas com a marreta saloio! 

sábado, abril 25

Associação Livre IV

A primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em Xoxota. Desde então...

Associação Livre II

A primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em squirter. Isto e medo.

Associação Livre

A primeira coisa que me vem à cabeça, quando penso em squirt. Não é por acaso.

big brother II

F.H. - Olha aqueles boxers ali... os golfinhos estão mesmo fofinhos.
P. - Fodasse, detesto boxers com bonecos que pretendem ser engraçados e o caralho...
F.H. - Pronto, já começas... Não percebes. É suposto ser engraçado e transmitir sentido de humor.
P. - Éh! Sentido de humor a piça. Quem é o gajo que quando tira as calças quer que a gaja comece a rir.
F.H. - (Responde com um esgar)
P. - Escusas de me olhar assim. É verdade. Ainda por cima eu tenho a convicção que por exemplo a Throttleman poderia aproveitar o seu nome como mensagem a ser transmitida. "Eu sou o gajo que controla a velocidade deste barco... só tens que seguir o meu ritmo". Mas não. Bora lá colocar seres marinhos, muito arredondados para as meninas acharem que o gajo até tem piada. Ainda por cima, uma gaja que se interessa por um gajo pelo seu sentido de humor, a partir do 2º mês está condenado a que a sua pila mais tarde ou mais cedo tenha um uso muito semelhante a uma âncora. Vai abanando de um lado para o outro, raramente se levanta e ainda por cima não o deixa ir a lado nenhum por que nunca se sabe quando pode ter um novo destino. Um garanhão não usa boxers com bonecos de certeza. E fica ofendido se uma gaja os oferece.
F.H. - Oh... vais-me dizer que não tens nenhuns boxers com bonecos. São todos lisos ou aos quadradinhos.
P. - Nop. Não tenho. Desde sempre que quem compra os meus boxers é a minha avó. Mas numa cadeia intrincada de eventos. Primeiro, ou eles deixaram de me servir ou por qualquer razão desaparecem ou ficam danificados. A minha mãe, que sem pensar muito ou fazer cálculos, é muito sensível à minha proporção de cuecas/meias, denota logo tal facto. Assim, que tem a oportunidade de falar com a minha avó transmite-lhe tal informação e passado poucos dias são me entregues uns boxers novinhos do Channo. Eu só tenho boxers do Channo. Ela deve ir comprá-los à baixa, a uma daquelas casas de roupas várias e que são denominadas com o primeiro e último nome de um qualquer gajo. 
F.H. - Hahahahaha... Esses boxers são dos chineses pá. Eu também tenho uns para dormir.
P. - Queres que te vire as costas não! Tens o descaramento de me dizer que usas boxers channo para dormir. Sabes que quando chegar a casa vou ter de os queimar. A sério, não tolero esses empréstimos de roupa interior. A partir do momento em que sucumbes ao "Empresta-me uns boxers teus para me sentir mais à vontade" perdes imediatamente metade da vontade que poderás ter em seduzi-la. Quem quer abrir uma surpresa com o seu próprio embrulho. Isso é triste.
F.H. - Cala-te. E que eu saiba muitos boxers do channo têm bonecos. Vais dizer-me que a tua avó nunca comprou uns.
P. - Nop. O máximo que eu tenho é com algum dizer. E aliás esses boxers são os meus preferidos. Tenho um que repete ao longo de todo o tecido "I am Jackie Chan". É lindo. Porque por exemplo esses boxers permitem-me fazer humor e manter aquele tom de "vira pra cá esse rabo que vais ver como elas doem". Eu começo por apresentar-lhes o Chan. "O Chan é oriental e como a maioria dos orientais é muito pacífico, todo zen e gosta de estar no seu quentinho. O Jackie não. O Jackie é citadino, ocidental. Vive para ser agressivo, intrometer-se com estranhos e tem uma postura claramente arrogante e de confrontação. Digamos que o Jackie e o Chan são no fundo um "membro" com dupla-personalidade e podem ser colocados na dimensão extroversão-introversão dos Big-Five, respectivamente. E acredita, assim que vejo um pedaço da tua pele o que eu mais quero é festa...". Vês funny and provocative. Agora essas merdas de boxers com bonecos. "Ah olha, olha o golfinho engordou de um momento para o outro. Deve querer que lhe faças uma festa." Fodasse. E as gajas é a mesma coisa. Pá, têm de perceber que roupa interior com um boneco fofinho como prenda para uma noite romântica é estarem a gozar com a cara de um gajo. Quem é que levanta o pau com o snoopy. Só um adolescente imberbe. Um gajo com experiência já precisa de algum trabalho para  ficar duro, agora imagina a olhar para o snoopy.
F.H. - Fodasse. Deves ser amargurado tu.
P. - O caralho! A sério era matá-los a todos! Tudo o que usava roupa interior com bonecos em frente de um pelotão de fuzilamento.
F.H. - Fascista...

sexta-feira, abril 24

big brother

- vamos escrever um diálogo
- um diálogo?
- sim, vá começa..diz a primeira frase
...
- mas eu nao tenho nada para te dizer
- foda-se vamos fazer um diálogo entre pedopsicótico e fitter happier
- mas isso não se faz
- ya mas é a cena da inovação..exactamente por não se fazer é que a gente deve fazer
- yaaaa assim eles não estão à espera
- e podemos repeti-lo
- isso é estupido
- pronto mas é isto o diálogo, é isto que vamos escrever. as coisas que estivemos a dizer até agora: 
pedopsicotico - vamos escrever um diálogo
fitter happier - um diálogo?
pedopsicótico - sim, vá começa...diz a primeira frase
fitter happier - mas eu não tenho nada para te dizer
pedopsicotico -foda-se vamos fazer um diálogo entre pedopsicotico e fitter happier
fitter happier - mas isso não se faz
pedopsicotico - ya mas é a cena da inovação..exactamente por não se fazer é que a gente deve fazer
fitter happier - yaa eles não estão à espera
pedopsicótico - e podemos repeti-lo
fitter happier - isso é estupido
pedopsicotico - pronto mas é isto o diálogo. é isto que vamos escrever. as coisas que estivémos a dizer até agora
fitter happier - isto não dá para fazer copy-paste?... então, control-c, control-v...
pedopsicotico - não dá..vá escreve
fitter happier - esquece, não tenho paciência...fica prá próxima
pedopsicótico - foda-se és sempre a mesma coisa..quanto menos fazes menos queres fazer
fitter happier - pronto..ja começou...não deves ter andado aí na engorda que nem um perú pró natal
pedopsicotico - sabes bem que se eu quiser emagreço 4kg num mês
fitter happier - ya...quando andas à procura de brazucas...não me esqueço daquele papelinho com o numero de telemovel pronto para dares a quem te cruzasse no caminho
pedopsicótico - foda-se! ao menos ainda tenho com quem interagir. não passo o dia encarcerado em casa sozinho
fitter happier - vai pró caralho! sabes bem que a culpa não é minha...olha vou pra casa. tu não me conheces!!!
pedopsicótico - queres boleia até alcântra?

"Então, e agora o que é que andas a fazer?"

feat. Fitter Happier
Epá, nada de novo... 
Mas no outro dia fiz uma feijoada vegetariana com chouriços vários da matança de um porco criado de propósito para esse fim... 
Ui!

Soundcheck (preview)

Voz!
Voz!
um, dois três... teste...voz!
Esta merda ouve-se?
um, dois...
três?
Pá quando digo três oiço feedback...

quinta-feira, abril 23

Porno Tuga Geodésico

Movido por curiosidade cinéfila e pela erecção que há um par de horas me fez sacar porno e evocar esmegma, estive a ver pornografia portuguesa (Incesto à Portuguesa) e dou-me conta que aquela película é um grande exemplo do neo-realismo português, provavelmente o maior de todos. É algo extraordinariamente verosímil até chegar à parte do sexo onde não há verosimilhança que o valha seja ele de que tipo for. Parece-me que o que me rodeia, as pessoas, as coisas, os bichos e até coisas inexistentes como a bolsa de valores e pessoas inteligentes nos cursos de letras, são como um filme pornográfico onde abunda a superficialidade, diálogos pouco trabalhados e preambulares, gente a querer parecer um objecto sexual; se juntarmos sexo a uma viagem pela rua augusta, a um diálogo com os nossos colegas de trabalho ou até mesmo, com desconhecidos nos transportes públicos, dá um filme pornográfico português.

quarta-feira, abril 22

Escola do 1º Ciclo nas Galinheiras

Viagem no tempo ou apenas o resultado da exclusão? Não sei e estou-me a cagar. Só sei que nesta escola, os miúdos ainda têm chumbos nos dentes recentes, provavelmente feitos por um tio ou primo ferro-velho, que se dá a ares de dentista do acampamento (ou do quarteirão). A negligência é tanta nesta escola que há um cabrão de um alarme de incêndio que da um toque de seis em seis segundos, porque existe um detector que não está ligado. Ao fim de dois dias, já consegui ler um capítulo de um livro de Gestão de Recursos Humanos, o que pode ser positivo ou não, dependendo de uma perspectiva evolucionista ou clínica. Só sei que espero sair daqui o mais rápido possível, que hoje, quando ia almoçar na tasca onde pago €2,5 por um prato cheio de comida, vi umas movimentações gitanas à minha passagem que me fizeram lembrar os tempos em que eu ia o mais rápido possível da escola para casa quando passava na zona de barracas circundante à anterior. No entanto, fiquei surpreendido por descobrir que os ciganos até aos seus 9/10 anos são miúdos impecáveis. Será (e agora vem uma pergunta à “Sexo e a Cidade”, ao estilo da personagem da sobrevalorizada em todos os sentidos Sarah Jessica Parker) que a influência que as hormonas têm nos ciganos desenvolve a sua faceta intimidatória e simultaneamente pedinchona de marginais e marginalizados, respectivamente?

De qualquer das formas, saí-me melhor que a gaja referida no parêntesis anterior. Deve ser do curso. Consegui desenvolver competências no campo da formulação de hipóteses. Ou não. Só sei que já estou farto de ouvir os miúdos repetirem as mesmas palavras e os mesmos erros… Se bem que tive um miúdo que me leu “próximo” como “bruxismo”. Ele há com cada uma.

sexta-feira, abril 17

O Melhor dia para Casar

I am you, and what I see is me

Sugestão para o fim de semana de chuva que se avizinha:

Coloquem a tocar, bem alto, no vosso leitor de mp3/estereofonia /Gira-discos a faixa nº 2 “Carefull With That Axe, Eugene”do álbum Ummagumma dos Pink Floyd e comecem a ler aleatoriamente os resumos das telenovelas portuguesas e brasileiras, mesmo sem nunca terem tido a coragem de ver um único episódio.

PS: Não tenham nenhum tipo de arma branca ou de fogo à mão.

domingo, abril 12

PÁSCOA

A páscoa é um natal mais pequeno. A páscoa é um inexistente solo do David Gilmour nos corredores de um supermercado no final da manhã, onde o burburinho é diferente por o dia ser "especial"; há uma tensão, uma expectativa que dali a horas será gorada e ainda ninguém dá por isso, ninguém se desilude, quanto muito há um lamento qualquer «a minha mãe está a ficar mesmo velha; o teu irmão tem conversas parvas». Na páscoa vêem-se carros velhos com poucos quilómetros feitos nas mesmas estradas, com matrículas onde os caractéres têm relevo; são conduzidos pelos seus donos de sempre, senis e carregados de uma fúria contra qualquer ruído que incomode suas silenciosas mentes - batem com a vassoura no tecto se o solitário vizinho de cima suspira ou declama um soneto de desespero, batem com o pé no chão e ameaçam chamar a polícia aquando momentos mais flatulentos do casal de baixo que é ateu. A páscoa são mais carros à entrada das vivendas, menos nos estacionamentos dos prédios, porque devido ao quintal, as pessoas ajuntam-se mais nas moradias para que os infantes possam correr e deixar fluir um princípio de incesto que a sociedade vai castrar e um psicólogo mais tarde não irá entender. Nesta altura vêem-se pessoas idosas vestidas de um preto gasto e sem aquele brilho oleoso das vestes dos ciganos que, temporariamente saídas de um lar ou da decrépita casa da aldeia onde vivem em reclusão, são ajudados por familiares a transpor obstáculos que nem sempre o foram e ali ficam, na sala, a marcar uma analfabeta presença através do seu sorriso pateta e constrangido de quem espera pela apolexia fatal. O solo do Gilmour continua e sorte daqueles que nunca o ouvem e que se limitam a ir, a dar pulos geracionais rumando ao vácuo ao qual se vão naturalmente habituando dados os anos de infertilidade.

sábado, abril 11

sissi sees the sea

boa páscoa caralho

sexta-feira, abril 3

Acabei agora de ver o Zeitgeist, o de 2008, que está um bocado entediante e a estas horas, aquela voz embala um bocado. Quer dizer, é suposto acreditarmos naquilo piamente, ver ali o novo messias no "projecto camisa-de-vénus" e etc? Aquilo está cheio de tretas, de falácias e sofismas. E o detalhe mais importante de todos, é os gajos não assumirem a Anarquia de forma clara, metem-se lá com a treta da tecnologia para dar outro nome às coisas, porque a palavra anarquia iria descredibilizar e afugentar as pessoas. Isso não é manipulação, especulação intelectual? Enfim. Todavia, recomendo a coisa, é interessante de se ver, apesar de à partida, para uma pessoa mundana e informada, sem reaccionarismos, não tem nada de novo, mas, é agradável ver as coisas organizadas e esquematizadas como ele ali apresenta.

quinta-feira, abril 2

Nada, acrescenta.

Com o sol a moer-me as vistas, percorro as ruas na segunda hora de ponta do dia e passam entre outras coisas mais ou menos bizarras, casais adolescentes, de miúdas muito mais baixas que os rapazes que esticando-se, abraçam-nos com sofreguidão e com um sorriso tolo na face purulenta e sedenta de afiliação. Pequenas almas que já sabem tanto dumas coisas e nada de outras, pequenas almas encharcadas por um tremendo mau gosto e por uma sinceridade etérea que não ultrapassa os preâmbulos dos sucos pudibundos.
Depois de reprimir o violento e sádico impulso de urinar para cima das pessoas que andam pelo centro comercial, entro numa livraria e claro, como sinto uma necessidade vicariante de comunicar com alguém, é ali que invisto. Peço a uma funcionária para me pesquisar acerca de uns livros (operação imolação; ideologia do catolicismo adaptado a capuchinhos) e uns autores (Juskoviak; Balakov; Mostovoi; Kulkov; Cherbakov), que eu à partida sei que ali não existem ou que só estão disponíveis através de encomenda, para assim, além de garantir que não gasto dinheiro, poder também trocar algumas palavras, umas missivas oculares, uns gestos desgarrados e desajeitados que me fazem sentir pertença da sociedade. Comento depreciativamente os marcadores que ali têm para oferecer aos clientes e sinto mesmo que me acham muito estranho; ouve-se música daquela mesmo primária e primata, nas colunas do centro comercial e uma das funcionárias começa, sem qualquer género de piedade ou inibição por estar ali um tipo estranho e hirsuto, a bambolear-se toda, semicerrando os olhos e dando de forma franca o seu perfil marcado pelo nariz adunco, à minha mais constrangida contemplação, «que grande perda de tempo». Miséria. Vou-me embora com o vazio do costume e preparo-me para mais uma noite de insónia dividida entre o FM e o Fausto.
As góticas no Estio cheiram muito mal dos pés, as docs são ventiladas? Existem góticas que não sejam ou muito gordas ou muito magras? Existem góticas que não sejam feias e que tenham tido uma normal adaptação ao ensino secundário? Existem góticas capazes de uma conversa inteligente e verosímil? As góticas podem gerar, é compatível com a sua "filosofia"? Alguém alguma vez viu uma gótica grávida?
Por falar em espermatozóides góticos, que é feito do Chiquito?

sábado, março 28

os ferreiras

Porque será que todos os doces da casa são semelhantes em todos os restaurantes? Quer dizer, é um embuste! Uma pessoa, quando pede a lista das sobremesas, fica toda entusiasmada quando ouve dizer, entre outros aglomerados de açúcar tais como baba de camelo, doce da avó, morgado, toucinho do céu, mousse de chuculate, pudin flan, etc,  "doce hífen da hífen casa". Aí, a pessoa pensa, naquele segundo de alento e esperança "txei, que bom, um doce que eu nunca provei". Isto para os que são gulosos de doces. De qualquer forma, é uma expectativa rapidamente gorada quando, em resposta à pergunta parva e ingénua "o doce da casa, de que é feito sr. ferreira?" a resposta é in-ba-ri-a-bel-men-te, e por ordem de estrato glicodoce, de baixo para cima:
1- leite condensado ou espécie de pudim foleiro 
2- bolacha maria foleira
3- chantily ou natas
4- pedaços de bolacha maria foleira ou chocolate foleiro raspado.
é um paradoxo. se é um doce da casa não deveria ser específico da casa? 
não entendo.

quinta-feira, março 26

Odor

A vagina é como uma ferida/greta que nunca cicatriza e que necessita de cuidados paliativos para não gangrenar.

segunda-feira, março 23

A Garagem da Vizinha...