terça-feira, julho 21

On a sunday afternoon

- “What the fuck is wrong with you? Snap out of it!!!

The concert was simple but cool, the temperature was mild, the river didn't smell and the company was good. I guess there was something missing there, like another zombie - a blonde one, beautifull and vivid eyes, "petite" but tough, craving for a Red Bull or drinking some wine or a "mini" and - that's why - smoking a marlboro light or silver slowly, enjoying each drag like the last one, now that the guilt for smoking has gone with the alcohol, always non-dependent and thinking by default efficiency-first...maybe she would be a little bit impatient towards the end, i'm not sure but i'll bet on that...

I would hug her in the small colored, unconfortable and wheeled islands that smell like the countryside, knowing that the tighter the grip, the easy it breaks, but i think she wouldn't misunderstood me. I would "take care of her ass and legs", understanding the real meaning of it, and knowing that i wouldn't like to do anything else, than just cudlle her soft and gentle skin... And then the distorted perception of time as it would stop for me for a little while - no musicians, not always the maintheme-saximprov-pianoimprov-bassimprov-maintheme-end song structure of jazz standards, no people coming out of the boat station looking , suprisingly, tired at the sunset and on a hurry on a sunday afternoon, no seagulls picking on a piece of something floating in the water, no boats bridging everyday lifes between home and work, work and home, no stupid tourists with guides in their hands, striking the pose to every scenario they find, no cars honking on our back to a drunken old man that kneels on the zebra praying and crying, no anger, stimuli, observing, parallel thinking and processing all the time... just silence and her for a little while - and then time could shift and accelerate to lightspeed, like the last time i was with her and we both were zombies...

- “Oh, Thank you for asking. i'm not depressed or anything, it’s just the city...ok, maybe, i've got a little bit of city sickness, but i guess it's normal on a Sunday afternoon.”

quarta-feira, julho 15

Cabo Espichel

The future lay sparkling ahead and we thought we would know each other forever.

terça-feira, julho 7

Queimada.

a kaya disse uma coisa que me ficou nos ouvidos: "que se fodam os médicos: wikipédia e google e mais nada" e eu vejo-me obrigado a concordar. Depois vejo também este vento a jogar com as cortinas da sala e a voz da minha mãe que estava mais forte dizendo que até tinha vontade de comer. e sinto.me com mais força para encarar o medo. e não sei quem é que comentou que vinha a este blogue e que era sempre o mesmo discurso, repetido vezes sem conta. Quem tal escreveu é um ignorante, uma alma simples que não conhece quem aqui escreve, estas seis sete oito pessoas que são muitas mais e que vão tentando encontrar um caminho neste jogo de enganos e incertezas que é a vida. Somos aqueles mecanismos que ao esbarrar numa parede voltam para trás. A melhor fuga é para a frente, ou para os lados, mas é preciso força para voltar atrás. "É duro admitir as nossas limitações" e é mesmo. Perceber que, por muito que queira, não consigo fazer uma determinada coisa, e.g: o cristiano ronaldo sorrir sem um esgar que mostra parvoíce, ou os gajos do cds não serem uns fascistas encobertos. Acho que depois de certa idade é mesmo impossível ser-se feliz. Ou então é preciso abraçar uma nova religião, que é como quem diz uma nova forma de ver as coisas, e talvez aí já entremos no domínio da cientologia. Tudo é aprendizagem, afinal de contas. E hoje é Lua Cheia. ok. E há gente que pensa: se não consegues vencê-los, junta.te a eles. E eu penso assim: se não consegues vencê-los, foge deles. Para o Marão. Ou Alvão, ou para uma dessas potentes serras a Norte, quando a lua está plena, e ilumina aqueles planaltos, e vemos luzes vermelhas na distância a assinalar o poder de geradores eólicos a laborar em plena noite, neste bréu intenso, medonho, cheio de poder, cheio de raiva e calma. e vemos a neblina que cai sobre os vales entre as serranias e deixamos o diafragma da máquina aberto, e revelamos a fotografia, ou vemo-la logo ali, no ecrã digital, com imensas estrelas e as tais luzinhas vermelhas na distância. É uma das imagens de mais poder, esta. Aposto que o sr doutor nunca esteve presente lá. a minha mãe esteve. só mais esta frase: "Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera." 

sexta-feira, junho 26

"People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed."
Bob Dylan

sábado, junho 13

A Minha Reacção

Que se fodam os turistas, especialmente os que perguntam por lugares ou coisas "não turísticas" com um guia na mão. Que se fodam os ambientalistas, vegetarianos, ovolactovegetarianos, vegans e afins e todos aqueles que julgam que tem uma consciência moral superior. Ainda não descobrimos como cuidar das pessoas, quanto mais da natureza, dos animais e, a suprema hipocrisia, do planeta. Que se fodam os Santos Populares e todas as desculpas institucionalizadas para beber. O álcool não cura o vazio, nem a solidão e nem aproxima a distância que temos das pessoas. Que se fodam as religiões e todos os empecilhos e intermediários que nos impõem para nos aproximar de Deus. Que se foda a polícia que ao revistar um grupo inter-racial, espanca dois pretos até ao coma como resposta a uma provocação. Que se fodam os pretos que foram espancados, por escolherem uma boa altura para demonstrarem a sua virilidade social. Que se fodam as lésbicas que afirmam a descoberta da sua identidade sexual única, imitando uma personagem de uma série de televisão. Shane on you! Que se foda o sistema político bicéfalo e a ilusão de democracia que temos. Não existe esquerda nem direita, existe o poder. Que se foda a desculpa da crise que serve para os patrões poderem justificar os lay-offs, deslocalizações e falências e assim manterem ou aumentarem os lucros e para as pessoas baixarem as cabeças e justificarem a sua própria incompetência. "The history of our times calls to mind those Walt Disney characters who rush madly over the edge of a cliff without seeing it, so that the power of their imagination keeps them suspended in mid-air; but as soon as they look down and see where they are, they fall." in "The Revolution of Everyday Life" Raoul Vaneigem

terça-feira, junho 9

Alfred Hitchcock Presents

- Gostas de mim?

- Sim.

- A sério?

- Não.

- Mas... Estúpido...

- Porquê?

- Por que é que disseste sim?

- Porque era o que querias ouvir.

- Anormal...

- Estás a chorar para quê?

- Para nada...

- Preferes que te minta?

- Não...

- Então porque é que ficas fodida quando te digo a verdade?

- Não é o que eu quero ouvir...

- Por isso disse sim. Mas não me podes censurar por ter respondido sinceramente à tua segunda pergunta.

- Mas tu és parvo? Pensas que isto é um exame oral? É uma entrevista de emprego? Pensas que eu sou um computador? Sirvo só para a punheta e para brincar?

- Estou apenas a ser objectivo.

- Vai-te foder, anormal de merda! Se soubesse não te tinha dado troco...

- Rigorosamente, deste-me €1 a menos do que devias. Foi para meteres conversa comigo?

- Sim, anormal de merda, mas mais valia ter-te deixado passar!

- Sim, mais valia. Nesse dia o euro fez-me falta para o parquímetro.

- Não vales nada... Nunca mais te quero ver à frente! Paneleiro de merda! Robot do caralho! Devia cuspir-te a nhanha que engoli para cima!

- Agora será impossível. Já foi digerida. Tens de admitir que te reduziu o apetite.

- Vai-te foder! Porque é que me despedi do LIDL... Agora era Chefe de Loja...

- A tua falta de ambição choca-me. Podias estar no Continente. Ao menos é português e faz parte de um grupo que tem uma quota sólida no mercado de valores. Se bem que a SONAE SGPS tem andado em baixa.

- TU ÉS UM MONSTRO!

- Não. O que queres dizer é que sou um indivíduo que não responde aos estímulos externos normalmente. Situo-me fora da norma, o que, evolutivamente, não atrai tantas fêmeas.

- Não acredito nisto... Despe já o meu soutien e a minha tanga! Quero ir para casa!

- Não podes. Para termos benefícios fiscais, casei-nos e cessei o teu contrato de aluguer.

- Não podes fazer isso!... Como é que conseguiste?... E as minhas coisas?...

- Decidi que devias mudar de estilo. Vai comprar roupas novas.

- Monstro... Verme... anormal... Prefiro viver na rua...

- Nesse caso, aconselho-te a esclheres as arcadas de prédios dos anos 50 ou 60. São sólidas e têm uma disposição mais ergonómica.

- Vai para o caralho...

- Compreendo a tua insatisfação com a situação. Neste momento não é reversível.

- Abre a porta... JÁ!

- Não há necessidade de exaltações. Sairás daqui em altura oportuna. Ou alturas, visto que irei retalhar o teu corpo em pedaços mais pequenos, alimentando uns cães vadios na zona de Frielas. Penso que ninguém desconfiará.

- NÃO!!!! DEIXA-ME SAIR! ASSASSINO!

- Não adianta. Neste prédio só vive uma senhora de 89 anos, surda e com Alzheimer.

apologia a s-ó-c-r-a-t-e-s

encontrei isto no "tablier" do multibanco, abandonado. Aqui o que terá sido a gota que fez transbordar o copo de um dia aziago e que provavelmente terá sido o principal motivo para alberto matar a sua mulher.

quarta-feira, junho 3

Mensagem Silenciosa 23 1/3

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Herbalife ou Jesus?

Ao entrar numa fila de trânsito, gosto sempre de ver o carro à frente. Mesmo que não gostasse, tinha de levar com ele. Mas gosto de ver a matrícula, o ano, eventuais autocolantes no vidro traseiro… Hoje, ali em frente do Campo Pequeno, fiquei atrás de uma Opel Astra de 96, com um condutor que me pareceu, pela tez e feições brasileiro, com um espelho retrovisor gigante, igual aos que se usavam nos carro de instrução no antigamente. Até aqui tudo bem. Conforme me aproximo do carro, vejo que tem umas letras enormes coladas no vidro traseiro. Primeiro pensamento: mais um gajo que foi submetido a uma lavagem cerebral pela Herbalife. Segundo pensamento: ou então uma gaja com o cabelo muito curtinho. O que dizia de facto aquele composto de letras adesivas? “Jesus está Vivo!” Fiquei contente. É bom saber que alguém que está morto vai para 2000 anos voltou à vida. Ainda para mais, quando é uma figura pública que é esperada por muita gente. Só tenho pena que quando Lázaro ressuscitou não houvesse o desenvolvimento na indústria dos adesivos que há hoje, que em 2000 anos se desenvolveu de forma exponencial.

O senão daquilo foram as letras pequena, por baixo das maiores. Sim, é sempre importante ler as letras pequenas, não vá um dia sermos acordados por umas pontadas na barriga, enquanto cirurgiões retiram pedaços do nosso saudável (ahem) fígado para doar. O que diziam estas letras? “Eu falei com ele hoje!” Ok, meu amigo zuca, uma coisa é dizeres que fulano está vivo. Agora, que falaste com ele hoje? Mas quem é que acredita que, depois de 2000 anos morto, sempre à direita do pai, sem poder comer uma gaja, fumar uns cigarro e beber umas jolas, Jesus, uma figura mediática, reconhecida por todos, ia logo falar com um brasileiro, imigrante em Portugal, a conduzir uma Astra de 96 com um retrovisor panorâmico? Ó eras! Se eu fosse Jesus, ia em primeiro lugar procurar uma prostituta para a salvar (se me faço entender), beber uma mini com uns amendoins, e ler A Bola para ver como está a safar-se o Calipolense nas distritais! Agora, falar com um gajo que há décadas reza e canta? E que anda com uma cruz ao pescoço! Se eu fosse Jesus, a última coisa que queria ver à frente era uma puta de uma cruz, que pelo que vi na Paixão de Cristo, deve ter doído um bocadito (Hicks, 1992).

Assim, e para concluir, acho que a Herbalife é como Jesus: parece uma solução viável para os nossos problemas, mas acaba sempre por nos desiludir.

quarta-feira, maio 20

gestos.

há uma coisa curiosa que se encontra, grosso modo, nas pessoas que bebem café com açúcar. Nem sei se vale a pena escrever sobre ele, ocupar o vosso tempo, excelsos e augustos e áureos amigos, que eu já não vejo há tanto tempo, olá olá adeus, que me vou embora, para a costa do marfim. De qualquer forma, no bebedor de café )referência literária agora( suuuussstância, aliás, que o próprio Honoré de Balzac abordou como sendo um dos recrimináveis excitantes modernos, há um hábito curioso que, parece-me a mim, simboliza, exemplifica e é uma metáfora de uma data de coisas. Ou não. O bebedor de café ou tira o café por ele(A) próprio(A - só por causa das merdas da emancipação feminina e dos direitos e esquerdos da mulheres e o caralho é que este á em caps lock está aqui) ou então pede um café à pessoa do outro lado. Recebe, sente o aroma, bota-lhe açúcar, mexe e, eis aqui o objecto de fala, ou de escrita, desta treta toda, meus amigos, ele, ou ela, retira a colher, ou a palhinha de plástico, e sorve a colher. Isto é delicioso. O bebedor de café, após ter a certeza que o seu café incorporou bem o açúcarzinho que lá botou dentro - conforme o seu gosto glicodoce e/ou os problemas figadais ou diabéticos - retira o instrumento que usou para tal fim, e lambe-o. Meus amigos, ele, ou ela, laaaaaaaaaambe voluptuosamente a colher. Mas o que significa isto? Não faço a mínima ideia. Mas há como que esta antecipação do curto prazer que se vai ter com o líquido agora defronte de nós. Quente, cheiroso, upa, lambemos a colher, ah, que bem que isto me vai saber. Imagino a frustração delapidante de quem, após a lambidela proverbial, lhe fosse retirado o café. Puta que pariu. Mas a lambidela meus amigos, a lambidela na colher, o que significa isto no ser humano? Imaginemos, assim só pela piada da cena e porque tenho interesse em parecer bués interessante e que medito muito nas coisas e tenho muita piada, ah-ah, imaginemos um homem, há uns milhares de anos, antes de comer o costeletão de mastodonte (algo parecido com o que hoje em dia se pode degustar no Fuso, de Arruda dos Vinhos, salvé a tal sítio pela sua existência no panorama gastronómico-pantagruélico-orgiástico Ibérico) lamber-lhe primeiro uma partezinha do osso que estava de fora da bruta carne, pingando de líquidos sanguíneos quentes: ui baldur, que bem que isto te vai saber meu amigo. - Num outro apontamento, quero deixar aqui bem claro que não acredito nesta merda da gripe suína.

domingo, maio 17

na aldeia de joão pires

na aldeia de joão pires, a terra de meu pai, ao pé de Penamacor, enquanto descíamos um caminho que eu não fazia há anos. enquanto andávamos, mas sempre atentos às carraças, que é tempo delas, e tinha chovido. e eu a mirava.

segunda-feira, maio 4

(.) (.)

Com um ligeiro tom de troça, dizem-me que agora jogas noutra liga, não mais cor-de-rosa mas certamente menos fálica; que danças voluptuosamente no Incognito para uma butch provavelmente preenchida por inseguranças e por um debilitante medo de te perder que as tatuagens não conseguem camuflar.
Habituei-me a ouvir nas conversas entre conhecidos, a ver nas sitcoms da TV, dar-se grande valor a esse fenómeno: «será que tive culpa?», «será que foi por causa de mim?», «será que não lhe dava prazer nenhum?», eu não coloco a mim próprio nenhuma dessas questões, não me sinto minimamente interessado ou incomodado. A única coisa de que me lembro é que querias que te mordesse os mamilos com força e, nem com isso me preocupo.

A FEIRA DO LIVRO (ou outra humanização) - Full Version (que segundo críticos condescendentes necessita ser barbaramente editada) FODEI-VOS

Subo a praça com o ar do costume, com aquela essência depressiva que desde cedo me tirou a candura que me fora atribuída pelas cores do meu avatar. Para sentir uma certa intimidade no acto da leitura, compro livros já manuseados que ao contrário dos novos em folha, me permitem idealizar uma certa volúpia. Compro-os sem trocar uma única palavra com o vendedor de ar carregado que se aligeira uns milímetros no degradê das expressões faciais com a presença das notas. Julgo não estar realmente deprimido, mas creio que é assim que naturalmente pareço. A cabeça volve-me sempre para o chão, pisos que minha memória acaba por guardar e, o meu ar é tendencialmente melancólico; torno-me num suspiro invisível, numa recordação permanente, num sentimento mau que nasce devido ao findar de todos os bons que em tempos existiram e que naturalmente cessaram sem qualquer autorização por parte de minha pessoa. Está vento e várias barracas modernas e limpas preenchem a praça; vendedores de vários tipos estão atrás das bancadas e aguardam interpelações de leitores ou de pseudo leitores. Alguns dos vendedores já são uma manobra comercial: vestem t-shirts relacionadas com o tipo de livros que vendem ou são demasiado belos e musculados para o contexto. Todavia, ainda existem os misantropos que pouco se importam com aquilo que vendem, limitam-se a ver passar os dias que jamais findam com a agonia de nunca terem conseguido criar algo significativo para seu insaciável ego. Sinto frio e aperto o casaco até ao queixo irritado pelos sucessivos barbeares, o vento continua a soprar e por vezes, num instante que várias coincidências transformam em silêncio absoluto, faz-se notar através de um imperial assobio. Continuo enlevado nos meus pensamentos e com a certeza que não irei ao outro lado da praça: demasiados livros, demasiados estímulos, tenho de pôr cobro a uma necessidade, visto não ser bom precisar de coisa alguma. Rondo uma banca, quero comprar um livro mas o vendedor ali não está, penso em roubá-lo, mas, está demasiada gente. Gente desce a praça, gente sobe, conversas pedantes aqui e ali, observações incautas e despropositadas que se escapam a um desmentir, a uma correcção que um dia fatalmente acabará por chegar. Casais de namorados rondam as bancas e não compram livro nenhum, por ali deambulam porque os livros sempre foram românticos, sempre falaram sobre amor e casais, estórias romanescas e virtuosidades infinitas. Ler? Nem todos lêem; livros? não os compram, mas escrever não é só para ser lido ou comprado, o livro é muito mais, o amor também não existe apenas para ser sentido. A minha visão lavada no luto da solidão começa a dar-me fortes dores de cabeça e tudo se vai turvando. Reparo que alguém me observa, estabeleço contacto visual e o observador a mim se dirige, é o vendedor que estava na banca da frente e tomava conta daquela que continha o livro que me interessava. Compro o livro em mais uma silenciosa transacção. - Tem algum livro de Dostoiévski? - interroga uma voz feminina. - Não, agora não - responde o vendedor - tinha mas acabei de vendê-lo, mas ao longo da feira trarei mais livros dele. - Procura alguma obra em particular? - interponho-me eu. - Não, nenhuma - responde ela - quero comprar todos os livros dele. Por menos esperança que tenhamos, por mais frios e calejados que os nossos corações estejam, há sempre algo que os acorda, há sempre um choque eléctrico que nos vem pôr à prova e terminar o silêncio interior, substituindo-o pelo brutal pulsar do coração. Aqui está ele, aqui está ela, vestida de preto sem qualquer pretensão a membro de uma tribo urbana. Cabelos lisos e cara magra. Parece-me bela mas nem reparo bem. Quero dizer-lhe que já li muito Dostoiévski, que a posso ajudar a procurar, que lhe posso emprestar os meus livros, que é um autor fascinante, um pioneiro da análise da mente humana, que a adoro só por ela ter essa curiosidade, que é bela sem eu a ver, que lhe quero tocar só por ela o mencionar. - Já vi por aí alguns há venda - digo - ali naquela banca parece-me ter lá visto o Jogador - digo eu apontando para uma banca uns dez metros abaixo. Cruzamos um breve olhar, que da parte dela é regado a um agradecimento constrangido e certamente imprevisto e, seguimos em sentidos opostos. Desejo olhar para trás e faço-o passado uns passos, já não a encontro, já nem sei como ela era. Relativamente alta e morena, é o que sei. Sinto-me incomodado por a ter deixado partir sem nada tentar, sinto-me incomodado porque nada tenho a perder, sinto-me incomodado porque é assim que nascem todas as histórias românticas com algum sentido, pelo menos no meu doentio imaginário. Penso que ainda vou a tempo de voltar para trás, mas continuo a subir a rua e sei que a cada passo que dou, mais longe fico do retrocesso que a não acontecer, me atormentará por algumas horas... Encontro o Jogador e as Recordações da Casa Morta, livros que já tenho, num impulso, compro-os. Desço com passada larga e procuro-a sem grande esperança, sem acreditar que caso a encontre, lhe diga alguma coisa. Mas se não descesse, estaria a escrever isto? Talvez sim, por ser eu, porque eu escrevo sobre a realidade seja ela interessante ou não. Vejo-a, de saia e com uma espécie de xaile que lhe dá um ar distinto, não tenho a certeza que é ela, parecia-me estar de calças, mas é relativamente alta e tem o cabelo preto liso, uma cara esguia e olhar vivo e temeroso. - Toma, encontrei estes. - ofereço-lhe os livros de edição antiga e gastos por mãos alheias. - Não posso aceitar. - diz-me com um dos ares mais espantados que jamais vi. - Aceita, insisto. - Tudo bem. - agarra nos livros enquanto tenta disfarçar um sorriso de espanto. - Posso ajudar-te a procurar outros. - Mas eu vou-me já embora... - Tudo bem. - respondo constrangido, embaraçado pela clara impressão de que estou a ser inconveniente. - Ia mesmo agora apanhar o metro... - Então se não te importares, acompanho-te. - digo eu num esgar de desespero, com a minha garganta completamente seca, que me dói ao articular as palavras tal é a falta de lubrificação; sinto-me um autêntico suicida perante a subtil e iminente auto-humilhação. - Claro que não, ora essa. - responde-me ela com um sorriso e entretanto, ao mesmo tempo que me volto a sentir humano e minimamente digno, reparo num verde nos seus olhos que no primeiro contacto me tinham parecido tão castanhos. - Rita. - diz-me ela, oferecendo-me a mão para o cumprimento. - Júlio. Aperto-lhe a mão pequena e esguia que apenas senti aproximar-se, visto ter-me escapado à visão e, sinto-me feliz, animado por alguém me cumprimentar daquela forma que sem saber porque, me diz tanto. Beijos inquietam-me, deixam-me constrangido tal como qualquer espécie de precoce intimidade física. - Para onde vais? - indaga-me com um ar alegre, cheia de vida, com um sorriso que exibe um canino fora do lugar e com demasiada gengiva. Não respondo logo, fico absorto na sua dentição e numa espécie de proto-rugas junto dos olhos. - Está aqui alguém? - pergunta-me ela ao mesmo tempo que estala os dedos mesmo à frente da minha face. Talvez me apetece-se agarrar-lhe naquela mão frágil capaz de estalar os dedos de forma tão ruidosa e levá-la até perto de minha boca e nariz, depois beijá-la e nada dizer, nenhuma pergunta ouvir, sem existir um qualquer senso à procura de se manifestar. - Claro, estou cá eu - respondo mantendo-me monoexpressivo - vou para onde fores, acho eu. - Isso tem piada. - observa ela, tirando os olhos de mim devido ao constrangimento gerado pela minha inopinada resposta. Vamos em silêncio e eu sigo-a sem reparar a direcção que ela toma, noto apenas que se desvia da entrada do metro onde um pedinte me olha nos olhos e segue para uma rua íngreme onde nos cruzamos com um velho tacanho de ar pícaro que nos olha de uma maneira tão agressiva que a mim, pessoalmente, me faz sentir invadido. - Perdeste as palavras? - indaga-me acerca do meu silêncio. - Talvez nunca as tenha encontrado. - É por isso que lês? - Provavelmente - respondo sob a forma de um suspiro - e tu, porque lês? - Leio pouco, apenas calhou passar por ali. Continuamos a subir, agora por ruelas estreitas ladeadas por prédios de quatro andares em que nas janelas está roupa branca estendida e ali mais à frente, o passeio muito estreito está ocupado por um saco de entulho que invade parte da estrada e dificulta a passagem dos carros que quando ali transitam descaracterizam a pasta sonora, abafando o som de talheres de pessoas que jantam, dos impropérios de discussões audíveis em todo o quarteirão; carros que nos obrigam a adoptar a fila indiana e me permitem reparar nos seus gémeos longílineos e apertados pelas meias elásticas. - Eu vivo ali em cima - diz apontando para o final da rua, onde não havia esquina, pois o último prédio da rua tinha a parede curva. - Ali onde estão as obras? - pergunto, referindo-me a um prédio que estava com andaimes e coberto por uma espécie de rede que lhe tapava toda a alçada frontal. - Sim, é o prédio em frente desse. - Conheces bem esta zona? - pergunta-me revelando dificuldade em articular as palavras, visto o seu fôlego ter sido exaurido pela íngreme subida. - Acho que não conheço bem nenhum lugar. - És sempre tão enigmático ou tentas impressionar-me? - Hum? - É que se é o que tentas, sinto-me lisonjeada. - És bela demais para te sentires lisonjeada por mim. - Tens a certeza, já olhaste bem para mim? - pergunta-me com uma ponta de indignação na voz. Fico em silêncio, sem saber o que lhe responder, leio poucos livros com diálogos e não consigo que ela oiça os meus pensamentos que a elogiam e lhe seguram na mão frágil. - Vá, olha bem para mim. - diz ela enquanto dá dois passos mais rápidos e se coloca à minha frente de braços abertos, impedindo a minha passagem. Observo-a, iluminada pela luz amarela brotada por um pituresco candeeiro. Ela fecha os braços e ali fica, fixa nos meus olhos que a perscrutam com atenção, usufruindo daquela oportunidade o mais que podem. O seu xaile fino abre-se um pouco com o vento e noto-lhe os ombros esguios e ossudos, subo o olhar e vejo-lhe as orelhas com vários furos, num estranho impulso, ergo a minha mão e desvio-lhe a franja encontrando uma grande cicatriz, ela engole em seco mas não se move. - Já viste tudo? - pergunta-me, nervosa, intensa... - Não. - respondo de forma seca e determinada. - Já chega. Responde-me e volta-se de costas para mim. Parece-me que compõe a franja e respira fundo. Fica alguns segundos de costas e eu não me atrevo a dizer ou a fazer o que quer que seja. Repentinamente volta-se e: - Não, agora não vou permitir que analises ao pormenor o meu rabo, agora é a minha vez de te ver bem. Olha-me nos olhos com um sorriso nos lábios que se revela efémero pois logo desaparece substituido por uma expressão carregada de curiosidade e atenção. Sinto-me tão inseguro enquanto extático sou detalhadamente observado por aquela estranha. No minuto em que ela me observa e pela primeira vez sinto o seu perfume, penso no céu alaranjado pelo crepúsculo, que sem ver, sei que está atrás de mim e que contrasta com este tão escuro que aparece no Leste, penso também no quão mal ela vai achar da minha fronte demasiado proeminente, das minhas orelhas grandes e com pêlos, dos meus lábios secos e gretados que ela agora, com um dedo, percorre. Passado um pouco, pára e encosta-se à parede do prédio por onde sai uma criança de calções com uma bola de futebol na mão, fica de lado para mim e vejo o seu perfil de queixo pequeno e nariz empinado. - Isto é tudo um bocado estranho, não é? - pergunta-me olhando para o céu que aparece sem núvens logo a seguir aos lençóis brancos que se agitam bastante com o vento forte. - Somos dois estranhos, normal que seja estranho. - respondo, novamente lacónico. - Trazes essas frases escritas num papel? - petulante, provoca-me. Fico em silêncio, pois não sei o que responder. - O teu silêncio intriga-me. - O meu silêncio não tem qualquer intenção consciente. - Mais uma dessas frases? - gozas comigo de forma ansiosa, com uma gesticulação particular que só agora começo a notar. - Saem-me... - tento eu justificar-me. - Frases perfeitinhas e ofereces livros, é assim que engatas? Ris-te nervosamente e como olho para o céu ao invés dos teus olhos, ficas com um ar pesado e arrependes-te da tua afoiteza. - Pareceu-me que devia a mim mesmo a oportunidade de te galantear. É a vez dela ficar em silêncio, fixa em mim e com os contornos esguios iluminados pelos faróis de um carro que aparece por trás. - Achas que foi demasiada afoiteza de minha parte? - Talvez - responde de chofre - mas as pessoas têm de se conhecer de alguma fora e eu não sou defensora de mecanismos assépticos. - Ainda bem. - Porra, nunca sorris? - indaga, adaptando a impaciência e o nervosismo que sentia à questão que colocou. - Será que o sorriso é assim tão importante? - Claro que é. - É que toda a gente me cobra o facto de não sorrir, parece que... mas porque raio é tão importante? - Sei lá, é uma coisa primitiva, um guia para o sucesso interpessoal. - Um guia para a normalidade? - indago eu com algum azedume. - Não tem a ver com isso... - Então tem a ver com o quê? - Tem a ver com o facto daquilo que tu fazes indicar que gostas de mim, mas eu olho para ti e nada me diz que gostas de mim, fico completamente baralhada, porque me parece que nada sentes e eu preciso de ver em ti, não posso simplesmente ouvir as tuas palavras frias e ver os teus gestos alexitímicos para acreditar que gostas de mim. Volvo a cabeça para baixo e procuro dentro de mim algo que apazigue os seus anseios e algo que prove a mim mesmo que eu sinto, que todas as minhas acções desde há momentos têm fundamento. Precipito-me para ela e beijo-a lentamente com os meus lábios secos e gretados, agarro-lhe as mãos e sinto todas reentrâncias e saliências dos seus dedos frágeis e femininos, aproximo-me e surge um natural abraço acompanhado por contactos linguais e trocas salivares bem doseadas. O pulsar do coração invade-me todo o celoma e corro o risco de ficar surdo se assim continuar, mas não me importo, não me importo deste ser o último ruído que ouço, deste som terminar com a minha existência que no fundo, por mais subterfúgios que encontre, sempre procurou encaminhar-se para este momento ou para momentos muito semelhantes a este. - Muito obrigado. Agradece-me com um sorriso de alívio e intriga-me com tal deferência. - Porque raio me agradeces? - Porque pela primeira vez desde há muito tempo, não me sinto como um trapo velho, um ensaio nunca transformado em cena. - És sempre tão transparente? - Não o consigo evitar, a minha transparência é tão fácil, a minha paixão tão aberta e intensa, amo-te loucamente e digo-to já, mesmo sabendo que tal coisa não se diz e só me faz ter a perder. - Admiro-te por dizeres isso, embora não saiba porque. - Lá estás tu com as tuas frases, meu amor. Passadas algumas semanas que talvez tenham sido apenas dias muito intensos de uma perfeição incomportável que na ausência um do outro traz angústias atrozes e ansiedades de separação, acontece algo: - Porque raio me ofereceste livros de Dostoiévski? - pergunta com um confiante e triunfal ar de curiosidade - nunca foi autor que gostasse, demasiado realista. - Mas tu andavas à procura de livros dele... - Eu? - Sim, tu. - Deves ter-me confundido com alguém, meu amor... P.S. Muita gente fez força para esta estória não ser publicada, disseram-me que estava uma merda e que era a pior coisa que eu já havia escrito. Mas, existem coisas que têm de ser contadas. O Júlio assim desejaria. Que descanses em paz, camarada.

Accão

é impossível ser feliz sozinho. o resto é mar.

Reaccão

Quero ser sniper. Quero perder de vez o medo de usar os punhos e levar porrada. 
Quero agredir primeiros-ministros, chefes de estado, o cabrão que me passou à frente, os drogados que fazem fila à minha janela, os empregados do McDonalds que me colocam batatas fritas pela metade e me dão hambúrgueres desalinhados. 
Que se foda o livro de reclamações, quero as mão doridas.
Quero que se foda. 
Tirem o sinal analógico já. Que cortem a internet, os 50 e muitos canais. Que o Vital Moreira aprenda a sorrir sem parecer que está a gozar ou caso contrário continue a ser apedrejado.
Têm de haver responsáveis por esta forma de vida, pela monotonia, pela falsa liberdade.
Que se foda "pelo menos vota em branco" e a demonstração de cidadania por dois minutos. Assassinem Obama e dêem-nos esperança, vontade de lutar.
Deixem-me auto destruir se é isso que quero. 
Que se fodam as obrigações familiares. 
Que se fodam os sindicatos e a "Representatividade política".
Que se foda a apropriação da cultura como sinal de inteligência e superioridade. Que se foda o último filme independente.
Que se foda a simbolização da esperança para nos manter mais um tempo acorrentados. Que se foda a Susan Boyle e o Mickey Rourke.
Que se foda a carreira militar.
Que se foda se queremos dar uma queca na namorada de um amigo.
Que se foda a única esperança de continuar a foder como ilusão do amor.
Que se fodam as mensagens escritas de 10 em 10 minutos. 
Que se fodam as pessoas que nos fazem sentir belos, porque precisam de nós.
Que se fodam os amigos que precisam de estar em permanente contacto.
Que se fodam todas as expectativas que têm de nós.
Precisamos de uma qualquer encarnação do Mal . Um alvo. Queremos destruir, mas dão-nos a "liberdade que se conquistou". 
Comecemos por colocar um fim na demanda civil de moralidade e justificação em cada acção nossa.

quinta-feira, abril 30

traque list

"surge então uma nova banda afro-lusitana no panorama musical alternativo português. Procuram fazer covers de opeth, ao ritmo quente, dengoso e muitas vezes furioso de ritmo e tesão, de funanás, kudurus, mornas e frias. O nome deste agregado de pessoas com um gostinho musical é ÓPRETA! e o último álbum dá pelo nome de MEMÓRIAS ECTOPLÁSMICAS, ficando aqui a track list:
1- aparição da perdição.
2- a baía dos porcos (américa).
3- em baixo do fiozinho (muitos pêlos).
4- tontice.
5- ai memória: a mata dos harlequins.
6- horas de riqueza (subsídio).
7- a grande praga.
8- choldra: anos de prisa."

might as well face your addicted to love!

acho que os taxistas acham que são os repositores da perdida ordem automobilística, dos antigos valores de tráfego automóvel. Para estes biónicos homensviatura, tu e eu somos os móveis desarrumados do mobiliário urbano. Tem cuidado ou levas com a marreta saloio! 

sábado, abril 25

Associação Livre IV

A primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em Xoxota. Desde então...

Associação Livre II

A primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em squirter. Isto e medo.

Associação Livre

A primeira coisa que me vem à cabeça, quando penso em squirt. Não é por acaso.

big brother II

F.H. - Olha aqueles boxers ali... os golfinhos estão mesmo fofinhos.
P. - Fodasse, detesto boxers com bonecos que pretendem ser engraçados e o caralho...
F.H. - Pronto, já começas... Não percebes. É suposto ser engraçado e transmitir sentido de humor.
P. - Éh! Sentido de humor a piça. Quem é o gajo que quando tira as calças quer que a gaja comece a rir.
F.H. - (Responde com um esgar)
P. - Escusas de me olhar assim. É verdade. Ainda por cima eu tenho a convicção que por exemplo a Throttleman poderia aproveitar o seu nome como mensagem a ser transmitida. "Eu sou o gajo que controla a velocidade deste barco... só tens que seguir o meu ritmo". Mas não. Bora lá colocar seres marinhos, muito arredondados para as meninas acharem que o gajo até tem piada. Ainda por cima, uma gaja que se interessa por um gajo pelo seu sentido de humor, a partir do 2º mês está condenado a que a sua pila mais tarde ou mais cedo tenha um uso muito semelhante a uma âncora. Vai abanando de um lado para o outro, raramente se levanta e ainda por cima não o deixa ir a lado nenhum por que nunca se sabe quando pode ter um novo destino. Um garanhão não usa boxers com bonecos de certeza. E fica ofendido se uma gaja os oferece.
F.H. - Oh... vais-me dizer que não tens nenhuns boxers com bonecos. São todos lisos ou aos quadradinhos.
P. - Nop. Não tenho. Desde sempre que quem compra os meus boxers é a minha avó. Mas numa cadeia intrincada de eventos. Primeiro, ou eles deixaram de me servir ou por qualquer razão desaparecem ou ficam danificados. A minha mãe, que sem pensar muito ou fazer cálculos, é muito sensível à minha proporção de cuecas/meias, denota logo tal facto. Assim, que tem a oportunidade de falar com a minha avó transmite-lhe tal informação e passado poucos dias são me entregues uns boxers novinhos do Channo. Eu só tenho boxers do Channo. Ela deve ir comprá-los à baixa, a uma daquelas casas de roupas várias e que são denominadas com o primeiro e último nome de um qualquer gajo. 
F.H. - Hahahahaha... Esses boxers são dos chineses pá. Eu também tenho uns para dormir.
P. - Queres que te vire as costas não! Tens o descaramento de me dizer que usas boxers channo para dormir. Sabes que quando chegar a casa vou ter de os queimar. A sério, não tolero esses empréstimos de roupa interior. A partir do momento em que sucumbes ao "Empresta-me uns boxers teus para me sentir mais à vontade" perdes imediatamente metade da vontade que poderás ter em seduzi-la. Quem quer abrir uma surpresa com o seu próprio embrulho. Isso é triste.
F.H. - Cala-te. E que eu saiba muitos boxers do channo têm bonecos. Vais dizer-me que a tua avó nunca comprou uns.
P. - Nop. O máximo que eu tenho é com algum dizer. E aliás esses boxers são os meus preferidos. Tenho um que repete ao longo de todo o tecido "I am Jackie Chan". É lindo. Porque por exemplo esses boxers permitem-me fazer humor e manter aquele tom de "vira pra cá esse rabo que vais ver como elas doem". Eu começo por apresentar-lhes o Chan. "O Chan é oriental e como a maioria dos orientais é muito pacífico, todo zen e gosta de estar no seu quentinho. O Jackie não. O Jackie é citadino, ocidental. Vive para ser agressivo, intrometer-se com estranhos e tem uma postura claramente arrogante e de confrontação. Digamos que o Jackie e o Chan são no fundo um "membro" com dupla-personalidade e podem ser colocados na dimensão extroversão-introversão dos Big-Five, respectivamente. E acredita, assim que vejo um pedaço da tua pele o que eu mais quero é festa...". Vês funny and provocative. Agora essas merdas de boxers com bonecos. "Ah olha, olha o golfinho engordou de um momento para o outro. Deve querer que lhe faças uma festa." Fodasse. E as gajas é a mesma coisa. Pá, têm de perceber que roupa interior com um boneco fofinho como prenda para uma noite romântica é estarem a gozar com a cara de um gajo. Quem é que levanta o pau com o snoopy. Só um adolescente imberbe. Um gajo com experiência já precisa de algum trabalho para  ficar duro, agora imagina a olhar para o snoopy.
F.H. - Fodasse. Deves ser amargurado tu.
P. - O caralho! A sério era matá-los a todos! Tudo o que usava roupa interior com bonecos em frente de um pelotão de fuzilamento.
F.H. - Fascista...

sexta-feira, abril 24

big brother

- vamos escrever um diálogo
- um diálogo?
- sim, vá começa..diz a primeira frase
...
- mas eu nao tenho nada para te dizer
- foda-se vamos fazer um diálogo entre pedopsicótico e fitter happier
- mas isso não se faz
- ya mas é a cena da inovação..exactamente por não se fazer é que a gente deve fazer
- yaaaa assim eles não estão à espera
- e podemos repeti-lo
- isso é estupido
- pronto mas é isto o diálogo, é isto que vamos escrever. as coisas que estivemos a dizer até agora: 
pedopsicotico - vamos escrever um diálogo
fitter happier - um diálogo?
pedopsicótico - sim, vá começa...diz a primeira frase
fitter happier - mas eu não tenho nada para te dizer
pedopsicotico -foda-se vamos fazer um diálogo entre pedopsicotico e fitter happier
fitter happier - mas isso não se faz
pedopsicotico - ya mas é a cena da inovação..exactamente por não se fazer é que a gente deve fazer
fitter happier - yaa eles não estão à espera
pedopsicótico - e podemos repeti-lo
fitter happier - isso é estupido
pedopsicotico - pronto mas é isto o diálogo. é isto que vamos escrever. as coisas que estivémos a dizer até agora
fitter happier - isto não dá para fazer copy-paste?... então, control-c, control-v...
pedopsicotico - não dá..vá escreve
fitter happier - esquece, não tenho paciência...fica prá próxima
pedopsicótico - foda-se és sempre a mesma coisa..quanto menos fazes menos queres fazer
fitter happier - pronto..ja começou...não deves ter andado aí na engorda que nem um perú pró natal
pedopsicotico - sabes bem que se eu quiser emagreço 4kg num mês
fitter happier - ya...quando andas à procura de brazucas...não me esqueço daquele papelinho com o numero de telemovel pronto para dares a quem te cruzasse no caminho
pedopsicótico - foda-se! ao menos ainda tenho com quem interagir. não passo o dia encarcerado em casa sozinho
fitter happier - vai pró caralho! sabes bem que a culpa não é minha...olha vou pra casa. tu não me conheces!!!
pedopsicótico - queres boleia até alcântra?

"Então, e agora o que é que andas a fazer?"

feat. Fitter Happier
Epá, nada de novo... 
Mas no outro dia fiz uma feijoada vegetariana com chouriços vários da matança de um porco criado de propósito para esse fim... 
Ui!

Soundcheck (preview)

Voz!
Voz!
um, dois três... teste...voz!
Esta merda ouve-se?
um, dois...
três?
Pá quando digo três oiço feedback...

quinta-feira, abril 23

Porno Tuga Geodésico

Movido por curiosidade cinéfila e pela erecção que há um par de horas me fez sacar porno e evocar esmegma, estive a ver pornografia portuguesa (Incesto à Portuguesa) e dou-me conta que aquela película é um grande exemplo do neo-realismo português, provavelmente o maior de todos. É algo extraordinariamente verosímil até chegar à parte do sexo onde não há verosimilhança que o valha seja ele de que tipo for. Parece-me que o que me rodeia, as pessoas, as coisas, os bichos e até coisas inexistentes como a bolsa de valores e pessoas inteligentes nos cursos de letras, são como um filme pornográfico onde abunda a superficialidade, diálogos pouco trabalhados e preambulares, gente a querer parecer um objecto sexual; se juntarmos sexo a uma viagem pela rua augusta, a um diálogo com os nossos colegas de trabalho ou até mesmo, com desconhecidos nos transportes públicos, dá um filme pornográfico português.

quarta-feira, abril 22

Escola do 1º Ciclo nas Galinheiras

Viagem no tempo ou apenas o resultado da exclusão? Não sei e estou-me a cagar. Só sei que nesta escola, os miúdos ainda têm chumbos nos dentes recentes, provavelmente feitos por um tio ou primo ferro-velho, que se dá a ares de dentista do acampamento (ou do quarteirão). A negligência é tanta nesta escola que há um cabrão de um alarme de incêndio que da um toque de seis em seis segundos, porque existe um detector que não está ligado. Ao fim de dois dias, já consegui ler um capítulo de um livro de Gestão de Recursos Humanos, o que pode ser positivo ou não, dependendo de uma perspectiva evolucionista ou clínica. Só sei que espero sair daqui o mais rápido possível, que hoje, quando ia almoçar na tasca onde pago €2,5 por um prato cheio de comida, vi umas movimentações gitanas à minha passagem que me fizeram lembrar os tempos em que eu ia o mais rápido possível da escola para casa quando passava na zona de barracas circundante à anterior. No entanto, fiquei surpreendido por descobrir que os ciganos até aos seus 9/10 anos são miúdos impecáveis. Será (e agora vem uma pergunta à “Sexo e a Cidade”, ao estilo da personagem da sobrevalorizada em todos os sentidos Sarah Jessica Parker) que a influência que as hormonas têm nos ciganos desenvolve a sua faceta intimidatória e simultaneamente pedinchona de marginais e marginalizados, respectivamente?

De qualquer das formas, saí-me melhor que a gaja referida no parêntesis anterior. Deve ser do curso. Consegui desenvolver competências no campo da formulação de hipóteses. Ou não. Só sei que já estou farto de ouvir os miúdos repetirem as mesmas palavras e os mesmos erros… Se bem que tive um miúdo que me leu “próximo” como “bruxismo”. Ele há com cada uma.

sexta-feira, abril 17

O Melhor dia para Casar

I am you, and what I see is me

Sugestão para o fim de semana de chuva que se avizinha:

Coloquem a tocar, bem alto, no vosso leitor de mp3/estereofonia /Gira-discos a faixa nº 2 “Carefull With That Axe, Eugene”do álbum Ummagumma dos Pink Floyd e comecem a ler aleatoriamente os resumos das telenovelas portuguesas e brasileiras, mesmo sem nunca terem tido a coragem de ver um único episódio.

PS: Não tenham nenhum tipo de arma branca ou de fogo à mão.

domingo, abril 12

PÁSCOA

A páscoa é um natal mais pequeno. A páscoa é um inexistente solo do David Gilmour nos corredores de um supermercado no final da manhã, onde o burburinho é diferente por o dia ser "especial"; há uma tensão, uma expectativa que dali a horas será gorada e ainda ninguém dá por isso, ninguém se desilude, quanto muito há um lamento qualquer «a minha mãe está a ficar mesmo velha; o teu irmão tem conversas parvas». Na páscoa vêem-se carros velhos com poucos quilómetros feitos nas mesmas estradas, com matrículas onde os caractéres têm relevo; são conduzidos pelos seus donos de sempre, senis e carregados de uma fúria contra qualquer ruído que incomode suas silenciosas mentes - batem com a vassoura no tecto se o solitário vizinho de cima suspira ou declama um soneto de desespero, batem com o pé no chão e ameaçam chamar a polícia aquando momentos mais flatulentos do casal de baixo que é ateu. A páscoa são mais carros à entrada das vivendas, menos nos estacionamentos dos prédios, porque devido ao quintal, as pessoas ajuntam-se mais nas moradias para que os infantes possam correr e deixar fluir um princípio de incesto que a sociedade vai castrar e um psicólogo mais tarde não irá entender. Nesta altura vêem-se pessoas idosas vestidas de um preto gasto e sem aquele brilho oleoso das vestes dos ciganos que, temporariamente saídas de um lar ou da decrépita casa da aldeia onde vivem em reclusão, são ajudados por familiares a transpor obstáculos que nem sempre o foram e ali ficam, na sala, a marcar uma analfabeta presença através do seu sorriso pateta e constrangido de quem espera pela apolexia fatal. O solo do Gilmour continua e sorte daqueles que nunca o ouvem e que se limitam a ir, a dar pulos geracionais rumando ao vácuo ao qual se vão naturalmente habituando dados os anos de infertilidade.

sábado, abril 11

sissi sees the sea

boa páscoa caralho

sexta-feira, abril 3

Acabei agora de ver o Zeitgeist, o de 2008, que está um bocado entediante e a estas horas, aquela voz embala um bocado. Quer dizer, é suposto acreditarmos naquilo piamente, ver ali o novo messias no "projecto camisa-de-vénus" e etc? Aquilo está cheio de tretas, de falácias e sofismas. E o detalhe mais importante de todos, é os gajos não assumirem a Anarquia de forma clara, metem-se lá com a treta da tecnologia para dar outro nome às coisas, porque a palavra anarquia iria descredibilizar e afugentar as pessoas. Isso não é manipulação, especulação intelectual? Enfim. Todavia, recomendo a coisa, é interessante de se ver, apesar de à partida, para uma pessoa mundana e informada, sem reaccionarismos, não tem nada de novo, mas, é agradável ver as coisas organizadas e esquematizadas como ele ali apresenta.

quinta-feira, abril 2

Nada, acrescenta.

Com o sol a moer-me as vistas, percorro as ruas na segunda hora de ponta do dia e passam entre outras coisas mais ou menos bizarras, casais adolescentes, de miúdas muito mais baixas que os rapazes que esticando-se, abraçam-nos com sofreguidão e com um sorriso tolo na face purulenta e sedenta de afiliação. Pequenas almas que já sabem tanto dumas coisas e nada de outras, pequenas almas encharcadas por um tremendo mau gosto e por uma sinceridade etérea que não ultrapassa os preâmbulos dos sucos pudibundos.
Depois de reprimir o violento e sádico impulso de urinar para cima das pessoas que andam pelo centro comercial, entro numa livraria e claro, como sinto uma necessidade vicariante de comunicar com alguém, é ali que invisto. Peço a uma funcionária para me pesquisar acerca de uns livros (operação imolação; ideologia do catolicismo adaptado a capuchinhos) e uns autores (Juskoviak; Balakov; Mostovoi; Kulkov; Cherbakov), que eu à partida sei que ali não existem ou que só estão disponíveis através de encomenda, para assim, além de garantir que não gasto dinheiro, poder também trocar algumas palavras, umas missivas oculares, uns gestos desgarrados e desajeitados que me fazem sentir pertença da sociedade. Comento depreciativamente os marcadores que ali têm para oferecer aos clientes e sinto mesmo que me acham muito estranho; ouve-se música daquela mesmo primária e primata, nas colunas do centro comercial e uma das funcionárias começa, sem qualquer género de piedade ou inibição por estar ali um tipo estranho e hirsuto, a bambolear-se toda, semicerrando os olhos e dando de forma franca o seu perfil marcado pelo nariz adunco, à minha mais constrangida contemplação, «que grande perda de tempo». Miséria. Vou-me embora com o vazio do costume e preparo-me para mais uma noite de insónia dividida entre o FM e o Fausto.
As góticas no Estio cheiram muito mal dos pés, as docs são ventiladas? Existem góticas que não sejam ou muito gordas ou muito magras? Existem góticas que não sejam feias e que tenham tido uma normal adaptação ao ensino secundário? Existem góticas capazes de uma conversa inteligente e verosímil? As góticas podem gerar, é compatível com a sua "filosofia"? Alguém alguma vez viu uma gótica grávida?
Por falar em espermatozóides góticos, que é feito do Chiquito?

sábado, março 28

os ferreiras

Porque será que todos os doces da casa são semelhantes em todos os restaurantes? Quer dizer, é um embuste! Uma pessoa, quando pede a lista das sobremesas, fica toda entusiasmada quando ouve dizer, entre outros aglomerados de açúcar tais como baba de camelo, doce da avó, morgado, toucinho do céu, mousse de chuculate, pudin flan, etc,  "doce hífen da hífen casa". Aí, a pessoa pensa, naquele segundo de alento e esperança "txei, que bom, um doce que eu nunca provei". Isto para os que são gulosos de doces. De qualquer forma, é uma expectativa rapidamente gorada quando, em resposta à pergunta parva e ingénua "o doce da casa, de que é feito sr. ferreira?" a resposta é in-ba-ri-a-bel-men-te, e por ordem de estrato glicodoce, de baixo para cima:
1- leite condensado ou espécie de pudim foleiro 
2- bolacha maria foleira
3- chantily ou natas
4- pedaços de bolacha maria foleira ou chocolate foleiro raspado.
é um paradoxo. se é um doce da casa não deveria ser específico da casa? 
não entendo.

quinta-feira, março 26

Odor

A vagina é como uma ferida/greta que nunca cicatriza e que necessita de cuidados paliativos para não gangrenar.

segunda-feira, março 23

A Garagem da Vizinha...

Para Masturbação

quarta-feira, março 18

Les Temps Detruit Tous (IV)

1 - Ontém passei por um cigano que cheirava a menta.

 

2 – Ao que parece, vai haver um filme do MacGyver. Mais um herói destruido…

domingo, março 15

“O outro Messias”

Não estive desaparecido apenas padeci de uma doença que me afectou a parte direita do cérebro mas não foi nada de grave pois a parte esquerda também ficou afectada. Durante os tempos da minha ausência sonhava acordado e a falar uma língua ancestral, mais tarde descobri que falava francês. Mas falando de outras coisas, “laxantes”! Constava nos antigos pergaminhos que desapareceram quando a biblioteca de Alexandria ardeu em chamas em 646 d.c (obrigado wikipédia) que o facto da prisão de ventre já era um mistério, e que segundo fontes que eu próprio sei já os celtas imploravam aos seus deuses na altura das festas de "Samain" que tal não lhes acontecesse. Então no ano ZERO foram enviados para a terra dois Messias, um deles Cristo, o outro menos conhecido uma couve! Dois filhos de Deus um com a tarefa de salvar e trazer o perdão ao seu povo, e o outro de aliviar as dores do cólon! O truque trata-se de agarrar num talo de couve e usa-lo como clister. Dai em muitas casas de banho de anciões aparecerem estas misteriosas leguminosas no caixote do lixo! Agora já sabem!

sexta-feira, março 13

Letra M de Marasmo, Mistério e Mostarda

Volta e meia (e só porque gosto da expressão), sou seniorsitter. Pelo nome, todos chegam lá.

Costumo ajudar ora a minha mãe, ora a minha avó, nas suas compras. Neste capítulo, a minha avó leva vantagem, uma vez que é reformada e as compras são feitas de manhã, perto da hora de almoço. Não são raros os dias em que me convida para almoçar depois das compras.

Local: restaurante de bairro, denominado “A Selva”, onde param bêbedos, desempregados, e bêbedos desempregados, sendo que estes têm justificação para beber em excesso, e as suas imperiais a 0.80€ vêm com um pires de compaixão a acompanhar.

Num dia em que o assunto fetiche para esquecer as dificuldades e crises pessoais é a morte por negligência de um bebé de 9 meses, deixado esquecido num carro pelo pai (uma fresta aberta na janela e um biberão de água era o mínimo que o pai podia deixar), consegui abster-me desse terror (mas ainda estou a pensar qual vai ser o próximo espectáculo de tiroteio em colégios… espero que o show venha cá a Portugal…). Enquanto a minha avó debitava o que ouvira e lera acerca do assunto, fingia ouvi-la e concordar com as suas opiniões. Eis senão quando (e lá está outra expressão que me apraz bastante) entram na sala de refeições do restaurante, onde comia uma alheira que não era grande espingarda (hoje é só destas… mais uma expressão simpática de utilizar), entram duas moças, dos seus 16/17 anos, e sentam-se uma em frente da outra. O empregado de mesa, brasileiro como são todos, enceta uma conversa de circunstância sem nexo, acerca da juventude e do tempo quente, talvez por um redireccionamento do fluxo sanguíneo de uma cabeça para outra.

Como de costume, o empregado de mesa coloca o menu aberto na vertical, deixando as duas jovens protegidas entre muralhas de azulejo branco de um lado, papel e plástico do outro. Curiosa cena se seguiu. Ao estarem protegidas de ambos os flancos, trocaram carícias manuais discretamente, para não serem vistas. Que ângulo digno de deuses eu tinha, pois foi-me possível assistir à troca de festas e carinhos nas mãos e antebraços com que ambas se presentearam. Descoordenado, sem oxigénio no cérebro suficiente sequer para proferir um “pai nosso” [piada xenófoba: os brasileiros, na sua maioria, são bastante religiosos. Assim, como qualquer povo ultra-religioso, foram abandonados pelo seu deus e colapsam num mar de luxúria e imundice (outra piada xenófoba, mais dissimulada que a anterior, mas igualmente ofensiva e generalizada)], coloca uma lata de Sumol de Ananás (ou pineipou, como dizem os brasileiros, que hoje são o alvo aleatoriamente escolhido) entre as duas amantes secretas. Houve um largar de mãos repentino entre estas, ao que se seguiu um olhar cúmplice e embaraçado entre as duas, após dizerem que nenhuma tinha pedido aquilo, ocasião que aproveitaram para pedir uma caneca de cerveja que dividiram.

No decorrer do almoço, enquanto a minha avó falava da vida desgraçada de alguém que eu deveria conhecer (desgraçado mas não brazuca, benz’ó deus), apanhei elementos da conversa do casal adolescente que me permitiram inferir um conflito entre uma delas e um pai ou namorado. Penso que será um pai, pois a neutralidade com que a outra falava do elemento em discussão revelava que não o conhecia, e se houvesse um namorado aquela devia conhecê-lo.

Uma relação secreta escondida num restaurante de bairro, onde os desempregados deprimidos, empregados descontentes e reformados dementes se reúnem e se embebedam, para esquecer as desgraças e crises pessoais.

Faltava mostarda na alheira. Teria ficado mais comestível.

quarta-feira, março 4

cofidis

o que é que funciona melhor como defesa contra a gripe: sexo ou l. casei imunitass?

segunda-feira, fevereiro 23

Mensagem Silenciosa (III)

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domingo, fevereiro 22

Uma noite no Porto

É um vazio que não entendo, um passeio que não chega a acontecer, é a meia-noite daquilo que não sinto. Sigo viciado em momentos que me fazem esquecer a minha existência vulgar, monótona, da mesma intensidade que a actividade sísmica da lua; viciado em momentos que me tornam as palavras leves e os olhares pesados de paixão. Viciado mas imóvel, viciado mas reduzido à incapacidade, manietado pelo conformismo, pelo ar de perdido, pelo adeus à beleza. Foi-se… e cada vez de mais longe, acena-me de forma trocista, como que a seduzir-me, Lolita metafísica, castração química.

O sentimento a bruxulear dentro de mim, a vida a mexer-se, a agitar-se, faz-me cócegas e eu gosto, é bom, é desconfortável e faz com que me sinta mais novo apesar do fardo do encanto. Aqui é onde as coisas acontecem ao ritmo da passada lenta e compassada, onde o vento sopra e depois faz-se um grande silêncio apenas quebrado por uma palavra acertada; silêncio novamente, olhos nos olhos durante cinco segundos, um ar muito preocupado, voltamos à passada.

A realidade é uma guerra onde as últimas batalhas têm sido ganhas pelo vazio, por esse vácuo transparente que fica dentro duma redoma branca, por esse fio de fumo que se perde num oceano; a inspiração vai perdendo, perdendo… o ponto de não retorno é já ali – um dia torno-me vazio e vulgar, sem nada de inopinado, sem o desleixo da inspiração, a desordem do encanto, sem o fascínio da bizarria, das massas perdidas alojadas à beira de uma sarjeta entupida, sem noite nem dia, fico caído a um canto de minha casa ao invés de procurar, deitado num sofá à espera que os dias, iguais a todos os dias, avancem, avancem, como se algo pudesse acontecer ou deixar de acontecer, coisa revolucionária suceder. Um dia não me levanto e a pia será a minha melhor companheira, um dia torno-me irreconhecível para mim mesmo e deixo de me respeitar. Não me lembro do último olhar que cruzei…

As folhas perenes, fartas de ver as caducas a perecer, agitam-se e assistem a esta noite fria de constipação iminente; sinto o odor do teu tabaco que naquele fumo que desenha no ar, traz também um pouco do teu cheiro, pedaços microscópicos da tua pele, células tuas com vestígios dos sentimentos que foste perdendo, tosses com força, uma, duas vezes e o cabelo negro e encaracolado vai-te para as vistas. Banco de jardim isolado com fetos secos a brotarem para cima de nós, ervas daninhas cresceram onde agora temos os pés, encolhemo-nos com frio, o frio que permite justificar os titubeares da voz e olhamos para o céu da cor da cinza do teu cigarro, coberto de nuvens altas, longínquas e indiferentes a tudo, indiferentes a uma noite morta para além deste banco onde qualquer coisa espera ainda por morrer, perto do charco onde toda a fauna se silenciou para presenciar mais um momento de infértil interesse, de sentimentos contidos que geram uma impotente entropia interior.

Oiço um zumbido que está em todo o lado, ocupa todos os espaços físicos e temporais, ocupa tanto que por vezes penso se não estará dentro da minha cabeça, mas não estão todos os sons dentro da nossa cabeça? vai e vem, para aqui, para ali, às vezes parece que se afasta e oiço-o pior, mas regressa rapidamente por um túnel e mais um ciclo completo, nunca o deixo de ouvir – é o grito da urbe, grito medíocre, grito constante e regular, sem grandes oscilações ou vibrações, um grito que vive por viver, vive indiferente ao ter de morrer.

- Quem és tu, porque te sentas à minha beira?

Saem-me com dureza, as palavras. Sai-me tudo cá para fora mas nada mais verbalizo e nem um dedo me atrevo a mexer… a tua barriga, tão perto de mim.

- Sabes bem quem eu sou. – respondes e depois tosses, tosses tanto que eu fixo-te os pés para que não te sintas constrangida.

- Tens frio? – indago, como que para me redimir de qualquer coisa, para me redimir do vazio que cresce ainda mais, para me redimir da vontade de partir a correr e parar apenas desmaiado no chão, morto de fadiga, acho uma boa maneira de morrer, completamente estafado, sem poder mais, deve ser um alívio, uma paz bem-vinda e desejada.

- Não, já estou habituada.

- Gostas de mim?

- Por vinte euros gosto de toda a gente.

E eu gosto tanto do teu sotaque…

terça-feira, fevereiro 17

Les Temps Detruit Tous (III)

Vejam lá se conseguem encontrar as diferenças. Não sei se são muitas. Pelo menos o "menino" Karl Wolf conseguiu destruir um clássico dos anos 80. Não é o primeiro nem há-de ser o último. Foda-se, estas coisas deixam-me mesmo infeliz. Se eu mandasse, teria de ser criado um comité de avaliação de covers, samples, etc., para não se cometerem crimes destes. Provavelmente nem o Karl Wolf nem os regaetonianos anónimos conhecem o tema que deu origem a este lixo musical.

sábado, fevereiro 14

Um dia especial

Já não há pão (a conquista do pão)...
- Dê-me 4 desses.
- Chapatas?
- Sim.
Subitamente, ser abjecto:
- Que dia é hoje?
- 14. - responde-te sem conter os dentes da frente que estão sempre cá fora, como a pila de um cão enlevado pelo cio de criatura da mesma espécie.
Claro que não podias saber. Não é por principio, ideologia, aversão ao capitalismo, idiossincrasia específica, desenvoltura literária, profundidade voluptuo-tenebrosa, que não sabes. É por seres assim, abjecta, cansada de te carregar por entre a exígua padaria, dois passitos para ali, dois para aqui, cansas-te, fartas-te dessa tonelada a mais, desses litros de sebo que te escorrem pelo corpo.

sexta-feira, fevereiro 13

"Não volto a comprar bananas da Colômbia, compram-se ainda verdes e dois dias depois, estão completamente podres."
Não vejo coisa mais verdadeira para se dizer.

A RECTA

Negligenciei-te...
Há sempre algo que me inspira, um último e seguro recurso, porto de abrigo para a minha débil e suplicante por eutanásia, criatividade; independentemente da tipologia do dia, da cor da sua face e espessura da sua linfa, do volume da precipitação, do número de horas de sol ou intensidade das mesmas, ilumina-me... Inspira-me mas eu fico contrafeito, nauseado, é uma inspiração doentia, perniciosa, que se propaga em mim e já me conhece melhor que qualquer outra pessoa ou cousa, incluindo eu próprio - é o meu delicioso tumor, a negritude que embeleza as minhas palavras, as tardes no IPO, o pacto com o diabo que é apenas um tipo como os outros, burocrático e que faz BTT no fim-de-semana.
Já só te tenho a ti... aglomerado de quilómetros, asfalto esburacado por tudo e todos, trespassado por aquele peso que quando eras nova, gostavas de sentir em cima de ti, porque ninguém gosta de tísicos ou de platonismos.
Venho do trabalho e o trânsito acumula-se, pára e arranca, está escuro e, ali, é ao contrário, porque ali a actividade ilícita não sobrevive ao cair da noite, não supera a ausência daquele aterrador brilho do céu -assusta-me tanto que o tenhamos trocado por Deus; os fachos ejaculados pelas cabeças dos carros que amiúde alumiam a tua periferia, não dão a segurança suficiente, a visibilidade ao teu histrionismo -antes fossem, histriónicas... Olho para as bermas que andam lentamente, ao ritmo decidido pela fila e pelo meu pé hediondo no acelerador, uma luz parda parece acumular-se centímetros acima de ti, uma espécie de penumbra luminosa, um nevoeiro de luz, um nevoeiro onde se esconde cada gota de esperma perdida, que agora, fosforescente, é um pirilampo; vejo a vegetação rasa que envolta pelo mefítico ar que ali paira em baixo porque tem vergonha de ascender, pequenos abortos, pequenos rebentos indesejados que ali ficaram, na aridez dos sentimentos, no viço da perversão, ali a noite é dia e o dia é noite, ali é tudo às claras e as porradas quando muito são vespertinas.
Há quem tenha a lua, dizem-se seres lunares, falam com o satélite e pregam-lhe balelas e histórias de amores mal-contados, eu prego-te a ti, minha recta, que brilhas, resplandeces aqui dentro, milhões de pirilampos, urzes que ninguém queria e te enfeitam daquela forma tão ridícula que nos faz rir quando passamos à tua beira... Como poderia ter eu ido para Lisboa e deixar-te, musa, tágide que vieste pelo mar da palha, ninfa dos meus olhos que nada sentes por mim...

quarta-feira, fevereiro 11

desambiguação

afinal de contas escreve-se "foda-se" ou "fodasse"? caralho que confusão.

segunda-feira, fevereiro 9

Estou tão desinspirado... Acreditem, até faço força para obter uma qualquer inspiração - quem se lixa são as hemorróidas. Consigo uma frase ou outra, uma rima por acaso que me desmoraliza, um pensamento menos banal, inúmeras razões para estar assim, infértil, mas, fico pelos preâmbulos de tudo, nada desenvolvo, nada passa para lá daquela vulgaridade decente, muito publicável mas sem a coisa que no fundo procuramos, a coisa que nos prende a nós próprios, a palavras que extraímos do nosso frasco sem rótulo. E não, não acho o livro dela tão mau como vós apregoais, parece-me sincero, igual a ela própria. Limitado, pois claro, mas com as mesmas limitações que a pessoa em causa tem, não são limitações ligadas ao pedantismo, ao diletantismo. Ok, não consegui ler mais que uma página, porque aquela treta irritava-me mesmo, a lamechice vai-me para a laringe e sufoca-me. Mas é honesto, superficial, como as coisas são nos dias de hoje, superficial pintado de profundo, uma superficialidade pretensiosa que confunde o que sentimos, as nossas desilusões, as nossas idiotices e trivialidades, com os problemas do mundo, as dúvidas, o existencialismo.

terça-feira, fevereiro 3

"palitos?só nos dentes" kaya(sic)

"com um jeito do corpo
feito sem dares por isso
fazes mais mal que o demónio
em dias de grande enguiço"
eheh

Memória Fátua

«...és igual a todos os outros, a única diferença é que conheces mais palavras.» Não consigo lembrar-me de quem me disse isto, esforço-me, mas é inútil.
Passo de carro pelas ruas do sítio onde recentemente deixei de viver; junto à paragem dos TST, vejo o Edgar, não o reconheço de imediato porque já é um homem com trinta e alguns e nas minhas memórias, ele tem sempre vinte e poucos, mas sim, é o Edgar que tanto se gabava do passe social, o Edgar que seguiu a carreira do pai e se tornou carteiro, então, delirou porque os CTT lhe pagavam o passe. Continua com o seu sorriso pateta de quem à nascença fez uma razia ao atraso mental e no final da curva deu de caras como o ensino público regular. Recordo-me dele e do seu rol de alcunhas quando eu tinha uns treze anos: muito moreno e seboso, com uma propensão para o disparate, por mais punido que fosse, por mais vezes que o espancassem no café do Manel, que o deitassem no contentor do lixo ao pé da escola em construção, não conseguia ficar calado - era a paralisia cerebral ou a idiotice iletrada... Faziam-lhe tudo, humilhavam-no numa reverberação qualquer de uma virgindade não perdida, tipos mais novos que ele mas mais velhos que eu. Recordo-me de ouvir a minha mãe dizer mal da mãe dele, que delirava por entre as bancas dos feirantes, numa qualquer manhã, por entre raides de grandeza e ideias persecutórias transmitidas com grunhidos agudos e interjeições analfabetas.
Às vezes eu defendia-te, porque me entristecia mesmo o que te faziam, ao ponto de uma lágrima começar a escorrer-me discretamente pela minha vista das lágrimas. Tinha uma moralidade forte, um sentido de justiça que depois se foi extraviando com o evoluir, com os conhecimentos e livros que li, com os jogos de xadrez, com a alimentação e uma ou outra ejaculação. Enfrentava aqueles tipos irritantes que troçavam de ti e te usavam para alimentar uma histeria colectiva que camuflava as suas frustrações muito pessoais. Era bem mais pequeno e ao início não me ligavam, não ligavam ao fedelho de ombros exíguos e com madeixas de cabelo sempre a caírem para os olhos, mas eu era tão determinado, os meus punhos falaram por mim e o nariz quebrou-se-me algumas vezes.
Acho que o meu irmão nunca me perdoou tê-lo defendido, via-o a olhar-me completamente irado, enquanto eles troçavam de mim e da minha indignação, enquanto gozavam comigo por o meu pai ser camionista e eu vestir-me com coisas gastas e feias... eles sentiam tudo isso, então aproveitavam para gozar com o meu irmão para que ele ainda mais me odiasse, chegavam ao cúmulo de o "adoptar" no seu grupo, desde que ele comigo também gozasse. Apanhavam o balanço e troçavam por eu ter confessado a minha paixão a uma rapariga que ali passava por volta das 18horas, vinda da escola; estavam todos, eles mais velhos, ali juntos à espera da sua passagem, dos seus cabelos pretos, do seu sorriso de embriagada. Ela vinha quase sempre acompanhada de dois ou três tipos de ar e fama feroz, então, raramente troçavam comigo durante a sua passagem, mas lá de vez em quando... Gozavam, riam porque eu não tinha hipótese... todos a queriam... mas quantos sentiam o aperto no estômago quando ela passava, quantos tremiam e se sentiam vivos ao vê-la naqueles jeans apertados com os joelhos quase a baterem um no outro enquanto se ia aproximando daquela esquina e depois afastando?
E se ela me tivesse dito que sim, se me tivesse levado para a sua espiral de auto-destruição, saberia eu as tais palavras?
Não me lembro mesmo de quem me disse aquilo...

domingo, fevereiro 1

Convite

Venham a minha casa passar o tempo que agora se mostra tão amarelo e gangrenado; tenho algumas cadeiras bambas; janelas que abrem ao contrário e dão vista para o imenso e soturno cemitério de pinheiros e ribeiros a que chamamos subúrbio.
Falemos directamente, deixemos sair as inquietações dissimuladas de gracejos, entrar a opulência de uma morte anunciada que ressalta no alcatrão húmido e lamacento. Encostemos nossas peles oleosas onde o viço morreu sufocado, à janela e observemos através das gotas de chuva no vidro (urina da biodegradação), as luzes fátuas dos autocarros que trepidam no decrépito conjunto de ruas esburacadas e desniveladas que traçam o nosso rumo, o nosso desimportante rumo que não faz diferença alguma. Oiçamos os graves que outrora foram agudos, gritos da mãe para seu irrequieto rebento que nunca se ouve, que nunca se vê - foda-se morreu, morreu!!!; o borbulhar da canalização entupida por resilientes dejectos que se prostram e nos mostram que a porcaria tende sempre a vir ao de cima; os passos endiabrados que trouxeram do café lá em baixo até à minha porta, alguém, um vizinho que por mais vezes que comigo se cruze, será um estranho, um verdadeiro idiota que nem a televisão consegue dobrar. Aquela, bela, condescende, indulgente, indulgente, meretriz, meretriz, me-re-triz, meretrizzzzzzzzzzzzz, presta-lhe atenção, presta-lhe atenção, atenção, atenção!!!
Por fim, quando estivermos altamente alterados por chá com um qualquer toque de pensal e baraticida, descendamos aos esgotos, onde é sempre funeral, onde o féretro nunca termina a sua caminhada, volta e volta, torna e torna - as nossas pequenas mortes, os nossos pequenos assassinatos, os cagalhões, vejamo-los infinitos, a morrer, a perecer, partes de nós, processados por nós, abortos espontâneos, dores nossas, amores, sentimentos, frustrações; andemos nos esgotos, saltemos para não pisar os cadáveres, tapemos o nariz não para evitar o fedor, mas sim aquele odor a pinheiro, aquela frescura matutina que permitia ver as lebres céleres a pisar a erva e a caruma, sem um rumo que não fosse aquele que não tiveram de escolher. Cobertos de opróbrio, descobrimos que o ascetismo morreu também, numa feze qualquer, o bom-senso não é também, mais que aquela mixórdia parasitada por lombrigas. Tudo se desfaz e ouvi-mo-lo a desfazer-se, tal como ouvimos o ruído da água a correr, aqui, nos esgotos por baixo da minha casa, ruído que soa tão bem, é tão belo, como o da água a correr numa bela e despoluída nascente.